07/11/2014 - Por Mulheres+

Cecília Meireles

“Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.”

Mulher ao Espelho – Cecília Meireles


Hoje o Google amanheceu com essa linda imagem abaixo na página principal, como homenagem ao 113º aniversário da poetisa, pintora, professora e jornalista brasileira Cecília Meireles.

Doodle

Para mim em especial, foi emocionante. Os poemas de Cecília Meireles faziam minha infância e praticamente me introduziram ao mundo da poesia brasileira. A linguagem fluída de Cecília era tudo para mim e até hoje sorrio com as famosas frases:

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Motivo – Cecília Meireles

Para quem não conhece um pouco da sua história, o nome completo da escritora era Cecília Benevides de Carvalho Meireles, e ela nasceu em 7 de novembro de 1901, no bairro da Tijuca. Vitou órfã muito cedo – seu pai faleceu três meses antes de seu nascimento, e sua mãe quando tinha três anos de idade – foi criada pela avó, Jacinta Garcia Benevides.

Foi casada duas vezes – com o pintor Fernando Coreia Dias se suicidou, e com um engenheiro chamado Heitor Grilo, com quem teve três filhas: Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda, que, segundo Cecília, em entrevista para a Revista Bula, “as três têm em comum uma bondade comovente mas são de temperamentos completamente diferentes”. Também teve cinco netos.

Já começou a infância se destacando com suas habilidade literárias, começando a criar suas poesias aos 9 anos. Com apenas 16 anos, se formou no Curso Normal Instituto de Educação do Rio de Janeiro e passou a exercer o magistério.

Mal esperou dois anos e, com 18, lançou seu primeiro livro de sonetos e, com seu estilo atemporal, logo fez sucesso. Mas aparentemente isso tudo era pouco para ela, porque além de professora e escritora, Cecília ainda arrumou tempo para trabalhar como jornalista, de 1930 a 1931, no Diário de Notícias, com uma página diária sobre educação.

Ela seguiria com seus projetos paralelos, um mais incrível que o outro: abriu a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, em Botafogo, virou professora universitária na atual URFJ, tudo enquanto colaborava com com o jornal A Manhã e a revista Observador Econômico.

Foi em 1939, quando lançou “Viagem”, que ganhou ainda mais reconhecimento. Recebeu o Prêmio de Poesia Olavo Bilac, pela Academia Brasileira de Letras. Nos anos seguintes, aproveitou para fazer diversas viagens pelo mundo, fazendo conferências sobre Literatura, Educação e Folclore. Tudo enquanto continuava lançamento obras – ao todo, foram mais de 50, entre textos e poesias.

A maior alegria de sua história é ver como ela ainda sobrevive – e não só no Brasil. Na cidade chilena de Valparaíso, tem até uma biblioteca com seu nome e, em Portugal, nos Açores e em Lisboa, há ruas com seu nome. Suas obras continuam sendo traduzidas, já recebeu diversos prêmios aqui no Brasil e suas obras continuam inspirando outros artistas.

Para mim, ela continua sendo inspiração e pura poesia. Infelizmente faleceu de câncer, aos 63 anos, em 9 de novembro de 1964. Mas lembramos dela hoje, e suas palavras e histórias continuam vivendo – para mim, obcecada como sou com a ideia de ser esquecida, só tenho admiração por essa mulher que se consolidou na nossa literatura e nas nossas memórias.

 

“Neste Natal eu estava doente em São Paulo. Pois bem. Ao voltar para esta minha casa (Cecília vive ao lado do bondinho que sobe pro Corcovado) encontrei cartões de gente de todos os cantos do mundo que se lembrou de mim. De todas as raças e religiões. Todos unidos pelo Natal. E o mais curioso é que eu olhava um cartão e outro e dizia comigo mesma: “Fulano talvez não combine com Beltrano, mas eu servi de elo entre os dois. A mim eles escreveram!” Me fez um bem enorme aquele meu Natal atrasado!”

– Cecília Meireles

Tags:, ,

Comentários