22/08/2016 - Por Mulheres+

Olimpiadas 2016 em uma perspectiva feminista

Ontem, domingo, tivemos o final oficial das Olimpíadas 2016 – os jogos tiveram muita polêmica até o final (desde americanos mentindo até o nosso presidente interino que resolveu não ir), mas foram semanas interessantes de muita diversão, vitórias e memes. Antes de esquecermos completamente as Olimpíadas e nos concentramos nas eleições municipais, queríamos só rever os melhores momentos no que diz respeito a diversidade!

Segundo o Papel Pop, a competição no Rio foi a que mais teve representatividade LGBT da história: 64 atletas e técnicos abertamente gays, lésbicas, bissexuais e trangêneros, sendo que do total mais de 10 se assumiram durante o evento. Enquanto isso, na de Londres, em 2012, eram apenas 23 e na de Pequim, em 2008, foram apenas 10. Vale lembrar que a modelo Lea T também foi a primeira transexual assumida a participar de uma cerimônia de abertura – ela conduziu a entrada da delegação do Brasil na hora da entrada do estádio.

Tivemos mais alguns momentos lindos para a comunidade LGBT – para citar alguns, a Rafaela Silva, que é declaradamente lésbica (além de mulher negra da periferia que lutou contra depressão!), ganhou o primeiro ouro do Brasil; a voluntária Marjorie Enya pediu a jogadora Isadora Cerullo, que faz parte da seleção brasileira de rugby, em casamento (veja o vídeo dela aceitando aqui <3); as britânicas do hóquei de grama Kate e Helen Richardson-Walsh se tornaram o primeiro casal de mesmo sexo a vencer uma medalha de ouro nas Olimpíadas; Sam Stanley, que faz parte da seleção inglesa de rugby, foi o primeiro atleta inglês do esporte a se assumir gay; e o atleta Chris Mosier se tornou um símbolo da inclusão nas Olimpíadas após se tornar o primeiro homem transgênero a fazer parte de uma equipe olímpica americana, competindo nas modalidade duathlon e triathlon.

As mulheres também tiveram sua vez ao sol – mesmo com a nossa linda seleção de futebol não ganhando medalha (exceto a medalha de amor que eu dou a elas), tivemos participações incríveis de diversas mulheres. Para listar algumas (porque realmente eram muitas!):

– Simone Biles me conquistou completamente quando, em entrevista ao Sporting News, disse que “Não sou o próximo Usain Bolt ou Michael PhelpsSou a primeira Simone Biles”;

– A nadadora Fu Yuanhui, maravilhosamente espontânea e engraçada, ignorou todos os tabus sobre menstruação para contar para uma repórter que tinha ficado menstruada antes da prova;

– Simone Manuel foi a primeira mulher negra americana a ganhar ouro numa prova individual de natação;

– Ibtihaj Muhammad tornou-se a primeira atleta americana a vencer uma medalha olímpica usando o hijab;

– Sara Ahmed foi a primeira mulher árabe a ganhar uma medalha em levantamento de peso;

– Oksana Chusovitina, com 41 anos, é a mulher mais velha a participar de uma Olímpiadas na categoria de ginástica – mesmo não acertando o salto, sua participação foi linda e extremamente corajosa;

– Na primeira eliminatória da prova de 5 000 m, Abey D’Agostino, dos Estados Unidos, e Nikki Hamblin, da Nova Zelândia, tropeçaram uma na outra e caíram na pista. As duas se machucaram, mas decidiram terminar a prova, se apoiando uma na outra para terminar a prova;

– A japonesa Kaori Icho foi a primeira mulher a ganhar quatro vezes seguidas medalhas de ouro em luta livre;

– Sakshi Malik foi a primeira mulher da Índia a vencer uma medalha em luta livre;

– A judoca Majlinda Kelmendi ganhou a primeira medalha de Kosovo da história (e foi ouro!!);

– Monica Puig, tenista, ganhou a primeira medalha de olho na história de Porto Rico!

– Teve muito mais, mas termino com a fala de Michelle Carter, do arremesso de peso. Ela foi a primeira negra a ganhar ouro nessa categoria, e em entrevista à Associated Press disse: “Estou num esporte em que as pessoas não olham para nós como mulheres, não olham para nós como meninas, ou mulheres femininas. Mas sempre fui menininha e não consigo separar… entre o esporte e ser mulher”. Este ano, Carter já havia afirmado à revista New Yorker que é OK ser mulher e uma competidora durona. “Agora, é tipo: ‘Quer saber? Somos meninas e conseguimos arremessar essas bolas pesadas e ainda assim somos bonitas”, disse ela. “Acho que está chamando mais atenção para o esporte, e as meninas estão se dando conta: ‘Ei, eu também consigo fazer isso e é OK para meninas também’.”

Esperamos que Tokyo traga cada vez mais vitórias e oportunidades para essas incríveis mulheres <3 Para quem quiser ver mais exemplos, segue minhas principais referências para essa lista: a do Papel Pop, a do Brasil Post e a do Huffigton Post (em inglês).

Aproveitamos para lembrar que ainda não acabou e que os Jogos Paralímpicos começam dia 7 de setembro! Não deixe de prestigiar esses nossos atletas, confira informações sobre os ingressos aqui:  ingressos.rio2016.com

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