CCXP 2018: 5 anos de cultura pop

No primeiro ano que a CCXP (Comic Con Experience) veio para o Brasil, ela ainda era um pequeno evento, pouco falado, com a missão de trazer para cá artistas e conteúdo do mundo pop. Mesmo sem entender direito como seria, em 2013, eu comprei para ir todos os dias, e, desde então, o tamanho da CCXP aumentou proporcionalmente ao meu carinho por esse evento. 

Hoje, é o maior evento de cultura pop do mundo, ultrapassando (com grande folga) a Comic Con de San Diego – nessa edição, foram mais de 260.000 pessoas que passaram pela convenção. Esse ano, tive o privilégio de ir como imprensa, e vim aqui contar um pouco de como foi o evento.

O EVENTO

Para quem não conhece, a CCXP funciona basicamente em três formatos: os stands, os painéis e o Artist Alley. Os stands, abertos para todos, são as áreas montadas por estúdios ou empresas para divulgar os seus trabalhos – neste ano, além das clássicas (Marvel, Disney, Netflix, Warner, DC, etc) tivemos uma forte presença de empresas brasileiras como a Oi, a Globoplay e o próprio Omelete, organizador do evento, cujo stand aumenta a cada ano. 

Fora isso, temos os painéis em auditórios com lotação máxima – palestras, workshops e entrevistas com convidados, tudo sobre o universo da cultura pop. Na edição de 2018 tivemos convidados – e mulheres – incríveis, como Sandra Bullock, para divulgar seu filme na Netflix; Brie Larson, a futura Capitão Marvel; Rebecca Sugar, criadora de Steven Universe; Masie Williams, de Game of Thrones; Sophie Turner e Jessica Chastain, do próximo filme dos X-Men; e até Tessa Thompson, como convidada surpresa da Sony e da Warner. 

O Artist Alley trouxe, mais uma vez, artistas e mulheres incríveis. É uma das minhas partes favoritas do evento e permite conhecer o trabalho de muita gente, comprar artes maravilhosas e realmente conversar com gente que vive a arte cotidianamente. Aqui você pode ver a lista completa de artistas, que incluem mulheres com grande talento. Interessante ver como as artistas femininas estão ganhando mais espaço – vi um grande número de quadrinhos de terror esse ano e a maioria desenvolvido por mulheres.

Em entrevista pro HuffPost Brasil, a quadrinista Camila Torrano disse: “Já lidamos com o terror em nosso dia a dia. Com o terror do assédio, da desigualdade, do abuso. Lidamos com monstros nossa vida toda, por isso acho que extravasar esses medos criando monstros imaginários é algo que soa bem familiar às mulheres”.

MAIS UM ANO, MAIS DIVERSIDADE

Passou-se a época em que evitava-se falar de diversidade em eventos como esse. Agora, o assunto é constantemente trazido a tona e faz parte da agenda oficial. No que se refere à diversidade nos painéis, a edição deste ano contou novamente com algumas apresentações específicas sobre diversidade: desde o já tradicional “Mulheres que Chutam Bunda”, até painéis mais específicos, como “Diversidade nos Quadrinhos”. 

Mas mesmo os painéis não específicos falavam sobre o assunto. Ricky Whittle, ator de American Gods, da Amazon, falou sobre a importância de mostrar a riqueza de diferentes culturas; o criador da RT Features, produtora brasileira que concorreu ao Oscar com filme sobre casal LGBT, falou sobre como as diretoras tem trazido histórias mais interessantes e únicas do que seus colegas homens; e até no painel do Bumblebee, inspirado na série dos Transformers, falou-se sobre escolha de ter uma protagonista feminina. 

Um destaque que preciso pontuar é a nova série da Globoplay, Aruanas, que falou sobre o ativismo feminino na luta pelo meio ambiente. A série acompanha uma ONG de direitos ambientais e indígenas – tema interessante, considerando que o Brasil é o país que mais mata ativistas no mundo – e tem um grande elenco feminino. Tais Araújo arrancou aplausos falando sobre a importância de entender o ambiente como algo que nós também fazemos parte e precisamos defender, principalmente no Brasil atual, que não dá atenção a essa pauta. O painel terminou com um grito de “Ninguém solta a mão de ninguém”.

Também vale destacar duas convidadas: Rebecca Sugar e Brie Larson. A primeira falou bastante sobre seu processo criativo e a importância de amar as coisas que estamos criando – a série dela é conhecida pela diversidade de personagens femininos, incluindo até um casal homoafetivo que se casa em um dos episódios. Dela saiu uma das frases mais bonitas do evento: “Destruir as coisas e fácil, eu prefiro fazer algo difícil”. 

Já Brie Larson, de Capitã Marvel, primeiro filme com protagonista feminina da Marvel, falou sobre como a personagem, Carol Danvers a inspirou a encontrar a força dela enquanto pessoa – não só física, mas de reconhecer a importância de ter uma auto-estima saudável, de entender que você é incrível e precisa expor isso para si mesma e para o mundo. Quando pediram para que enviasse uma mensagem às meninas ao redor do mundo que vão assistir o filme, disse apenas: “eu fiz isso por vocês”. 

DAQUI PRA FRENTE

O tema da diversidade – em especial no que se refere à mulher – deve continuar sendo destacado nas próximas edições do evento. Apesar disso, a exploração do tema não mudou muito – continua superficial, e falando da diversidade de maneira abrangente (não há, por exemplo, painéis específicos para debater a – baixa – presença negra nesse universo, nem sobre sexualidade). Mas é interessante ver como o próprio universo pop está começando a refletir um desejo de mudança – cada vez mais protagonistas diversos e histórias buscando mostrar outras culturas e modos de viver.

Também tenho curiosidade de saber como a política brasileira vai influenciar a próxima edição – as atrizes brasileiras de Aruanas não chegaram a comentar especificamente sobre esse assunto, mas dependendo da maneira como o primeiro ano do presidente eleito correr, vai ser um tema difícil de evitar, pelo menos no que se refere ao espaço que o audiovisual brasileiro vai ter no país.

VEJA MAIS

Se quiser saber mais sobre o que rolou na CCXP, confira os Destaques do nosso Instagram! Também criamos um álbum no Facebook com algumas fotos.

A próxima edição acontece dos dias 5 a 8 de dezembro de 2019. Certamente nos veremos lá!

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