09/12/2014 - Por Notícias

Recapitulando: Comic Con Experience

Para quem não sabe, esse fim de semana (dos dias 4 a 7 de dezembro, na realidade) ocorreu a Comic Con Experience aqui no Brasil, em São Paulo. Eu, querida integrante da Equipe NAQ, já estava contando em andar até San Diego para participar de uma Comic Con, então, quando soube que esse evento aconteceria na minha cidade, quase chorei.

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Para começar, vamos deixar bem claro: foi mágico e incrível e eu estarei lá ano que vem (e todos os anos que eu puder).

Infelizmente eu não consegui ir quinta-feira (trabalhando, né), mas fica aqui a minha impressão dos outros dias de uma perspectiva feminista. Vou contar para vocês como foi a Comic Con para as mulheres!

Começando pelas notícias ruins: bem, não preciso dizer que esse é um ambiente geralmente dominado por homens (brancos, cis, hétero) que se acham a última bolacha do pacote (fica aqui meu oi para o menino que me perguntou se eu realmente conhecia todos os personagens do pôster do Marvel Heroes). Infelizmente, isso se refletiu um pouco nos convidados – quase todos se encaixavam nesse padrão (exceção mais notável para mim foi a escritora Christie Goldie, que falou sobre as expansão dos universos de Star Wars e World of Warcraft).

Sobre os filmes novos, também não temos grandes novidades. A Fox falou um monte sobre o filme novo deles, o Kingsmen, que até parece interessante, mas é mais um filme de espionagem com talvez duas mulheres no elenco, e 90% de pessoas brancas. Perdeu pontos também pela sneak peak, que mostra a única personagem feminina mais importante morrendo de medo e tendo que ser confortado pelo nosso herói genérico. O painel da Marvel também não trouxe grande novidades, e ainda me parece absurdo que, em uma lista gigantesca de filme, o Homem Formiga vai ganhar filme antes da Viúva Negra.

Marco Polo, série nova do Netflix, eu não consegui assistir, mas parece interessante, e me contaram, no dia seguinte, que aparentemente vai explorar a cultura chinesa. A Netflix também ganhou pontos por explorar bastante Orange Is The New Black no seu stand, que, para quem não conhece, é uma série centrada em personagens femininas bem diversas.

Operação Big Hero eu também não consegui assistir (deu pra entender o tamanho das filas, né?), mas esse tem uma diversidade grande de personagens, de várias raças e gêneros, então parece um passo certo para a Disney. Infelizmente, no painel com os produtores, não consegui perguntar se essa diversidade vai ser importante para a Disney nos seus próximos projetos.

O painel de Game of Thrones, apesar do lindo Jason Momoa, também me decepcionou às vezes – algumas menções desnecessárias a cenas de estupro do programa ficaram difíceis de engolir. Mas foi interessante ouvir o Jason falar como ele ficou muito feliz em ser o Aquaman, já que ele não é o loirinho branco que ele (e a gente) está cansado de ver.

O melhor filme, no quesito feminista, que apresentaram, foi sem dúvida o Divertida Mente, o novo da Pixar. É sobre uma menina de 12 anos, e suas emoções – e aparentemente, vai tratar de depressão. Parece bem legal, e as personagens principais são todas mulheres (a própria menina e as duas emoções principais, Alegria e Tristeza). No sneak peak que eles mostraram teve algumas coisas que a gente vai ter que esperar para ver (eles usam o estereótipo Mãe Chata e Pai Distraído), mas ainda assim, foi o filme mais interessante que eu vi sendo apresentado.

Outros dois painéis recuperaram certa fé na humanidade para mim – o da Marvel Comics, teve uma pergunta sobre a representatividade das mulheres (que foi aplaudida) e, apesar do apresentador ter dito “homens são objetificados também”, os convidados (quadrinistas, coloristas, etc) falaram coisas bem legais sobre o assunto e se mostraram minimamente ligados sobre o assunto.

O painel de Star Wars também foi mágico para mim – tinha uma menina que gritava toda vez que a menina do trailer novo aparecia (to contigo, amiga) e, quando o apresentador disse que achava que ela ia ser protagonista e perguntou se eles achariam legal a protagonista do filme novo ser mulher, rolou vários aplausos (não tanto quanto para a Millennium Falcon, mas a gente chega lá). Isso foi bem importante para mim, porque a Disney não se incomodou em falar de ninguém além do Darth Vader no stand de Star Wars e eu tive que caçar legal pela minha boneca da Princesa Leia. E, claro, tinha uma modelo coitada, com o terrível biquini dourado e a corrente no pescoço – muitos caras desrespeitaram ela – mas, toda vez que vejo esse biquini, lembro que a Leia usou a corrente para estrangular o Jabba e a misândria nasce novamente em mim.

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Dá pra ver que ela tá imaginando destruir todo mundo. Eu não a culpo.

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Foi uma batalha, mas olha como ela é preciosa <3

 

Mas o mais importante de todos os painéis, foi, sem dúvida, o “O que elas querem? Um olhar sobre a mulher na cultura pop”. Cheia de convidadas lindas, tivemos uma conversa ótima sobre o papel da mulher nesse universo e o que precisa melhorar – apesar de não ser no maior auditório, o lugar tava cheio, e foram ditas várias coisas legais.  Para mim, o mais importante foi o dito por alguma delas, de tomar espaço nesse universo, não só em painéis e momentos específicos, mas trazendo mulheres para todos os momentos da Comic Con. Para quem quiser procurar mais sobre as convidadas maravilhosas, tinha a Ana Recalde (roteirista), a Cristina Eiko (ilustradora e quadrinista), a Dika Araujo (ilustradora), a Erica Awano (ilustradora e quadrinista), a Lu Cafaggi (quadrinista), a Mariamma Fonseca (Lady’s Comics) e a Rebeca Puig (roteirista e querida CDC no NAQ!).

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Foto do tal painel. As meninas falaram muito bem. 

 

Bem, tenho fé. Tinha muitas mulheres mesmo no evento e senti que havia uma preocupação geral em falar sobre as mulheres nesse universo. Ano que vem, espero mais e exigo mais, mas senti que foi um bom primeiro passo para a primeira Comic Con brasileira. Para quem quiser ir, eu estarei lá em 2015 (possivelmente vestida de Sally!) – convido todas as meninas a tomar mais espaço nesse universo. Essas histórias, de filmes, séries, quadrinhos e afins, fazem parte da nossa cultura e ajudam a construí-la – nada mais justo, então, do que a gente participar delas também.

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