Vagões Coloridos

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Há alguns meses, a marca Dermacyd lançou uma campanha de apoio ao vagão especial para o público feminino, que existe no Rio e em Brasília, apoiando e estimulando pessoas a assinarem um abaixo-assinado para que a medida fosse implantada em São Paulo.

A marca, a princípio, se colocou como defensora dos interesses femininos. “Essa iniciativa é apenas o ponto de partida para chamar atenção e avançar em um assunto tão importante para a sociedade. Dermacyd, como uma marca que entende do universo feminino, quer levantar essa discussão, que não pode ter um ponto final”, disse Patrícia Macedo, gerente de Marketing da Unidade CHC da Sanofi.

Embora a discussão de assédio no transporte público seja extremamente importante (e a marca defende que a educação deve ser a principal solução desse assunto), a Dermacyd encontrou um grupo forte de mulheres que se opõe a essa medida.

Dalila Figueiredo, presidente da Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e da Juventude (Asbrad), afirma: “Se temos uma população composta por mais de 50% de mulheres, pensar em destinar carros exclusivos para elas é uma atitude como tapar o sol com a peneira”.

Dessa maneira, o vagão rosa seria apenas uma maneira de, mais uma vez, tirar a atenção de quem realiza o assédio, voltando o foco para as mulheres e abre margem para discussões no nível de “saia-curta-merece-ser-estuprada” – “se-não-queria-ser-assediada-devia-ter-usado-o-vagão-rosa”.

Mais do que isso, o que a Dermacyd precisa compreender é que, como representante do universo feminino, é importante lutar por espaços para as mulheres – mas não um espaço restrito, diferenciado, mas seu espaço por direito: a rua.

A criação de um vagão rosa implica na criação de vários vagões azuis e é um jeito de explicitar que a rua, o metro, o público, é lugar de homem – e a mulher que está nele, não pertence e deve sofrer as consequências – ou ser colocado em um canto só pra ela, diferente, segredado.

Mulheres não querem vagões para elas, querem – e, cada vez mais, exigem – espaços sem cor, nos quais elas tenham tanto direito de estar quanto qualquer homem.

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