Ajuda – relacionamento abusivo

Relato enviado por uma de nossas leitoras.

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Um casamento abusivo

 

No ano de 1988, quando eu tinha apenas  14 anos, conheci o homem que pensei ser o grande amor da minha vida. Depois de um ano e meio de namoro decidimos que iríamos nos casar. Foi durante os preparativos do nosso casamento que ele começou a dar indícios de abuso no relacionamento. Eram gritos, tinha ciúme, me privava de decisões que dizia respeito a nós dois e os carinhos já não eram frequentes, mas eu o amava e achava que era somente estresse do casamento, que assim que nos casássemos tudo voltaria ao normal.
Errei. Logo no terceiro dia da Lua de Mel ele estabeleceu as suas regras dizendo que estávamos casados, mas nem por isso ficaria de “mela cueca” comigo todo o dia porque eu casei com ele sabendo que  ele era assim. Disse ainda que se eu não estivesse de acordo, então que acabasse tudo ali. Fiquei tão passada que não tive resposta, mais uma vez pensei era fase, mas não foi. Todos os dias eram gritos, xingamentos, rejeição. Me sentia culpada por ele ser assim pois cada vez que eu perguntava para ele porque ele me tratava assim a resposta era mesma “tudo culpa sua”, “você fala demais”, “você é muito pegajosa”, entre outros defeitos meus que ele apontava. E quando eu queria me impor, logo ele gritava mais alto e com olhar intimidador.
Então vieram os filhos. Tivemos três filhos, hoje todos maiores de idade. Mas durante a infância deles ,na maioria das vezes o que eles viam era um pai machista, autoritário, “cansado”, bravo e que nos intimidava com olhares e gritos. Hoje ele ainda é assim. Ele vai a igreja e ora, chora, lá é um homem perfeito, mas quando chega aqui em casa e principalmente quando estamos a sós, volta a ser assim. Grita, humilha, diminui, depois pede desculpa e perdão, passam-se alguns dias, as vezes até algumas horas e volta tudo outra vez. Ele diz que vai embora, mas quando digo que tudo bem ele não sai. Também não me deixa ir. Eu acabo ficando.
Só que estou ficando doente. Eu já tive síndrome do pânico e depressão tomei remédios por 2 anos. E agora os sintomas estão voltando. Me sinto fraca porque não tenho coragem de enfrentar essa situação. Por isso peço a vocês que me ajudem porque não sei o que fazer. Me sinto só. Triste. A minha família nem imagina que ele é assim. Até dos meus filhos eu poupo essa situação. Por vergonha.
Ele nunca me agrediu fisicamente porque ele diz que bater deixa marca visível, mas é como se todos os dias eu levasse um soco na alma.

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