Anorexia e o tratamento

Recentemente recebemos um relato de uma seguidora sobre sua experiência com anorexia nervosa. O assunto, ela mesma diz, é de extrema importância, “dada a sua seriedade e a frequência com que nos atinge”. Mais embaixo nesse texto, vou colocar o relato completo e o link para o blog que ela desenvolveu durante sua recuperação, que pode ser uma fonte de inspiração e ajuda para outras pessoas que sofrem com transtornos como esse.

Seria ótimo acreditar que, ao se envolver mais a fundo na questão do empoderamento feminino, ficamos livres do risco de doenças como essas. Mas a verdade é que, mesmo sabendo, no fundo do meu coração, que os padrões de beleza são limitantes, definidos por uma indústria que quer lucrar com nossas inseguranças, e feitos para nos deixar constantemente preocupadas com nossa aparência, ainda me vejo desejando que eu fosse mais magra, mais bonita, mais dentro do padrão.

Uma vida inteira de influências negativas não é facilmente desfeita, e temos que considerar mulheres que sofrem com essas doenças vítimas de um sistema que é maior que todos nós.

Estima-se que essas doenças alimentares atingem quatro a cada cem pessoas, sendo que 90% são mulheres (embora esses transtornos têm aumentado entre homens não-heterossexuais). Isso sem entrar na questão de quantos desses transtornos não são consideradas como tal – Blythe Baird, uma poetisa americana, diz em um dos seus poemas “se você desenvolve um transtorno alimentar quando você não é magra você vira uma história de sucesso”. Vemos diversos reality shows falando da importância de emagrecer muito em pouco o tempo, e essas narrativas são aceitas socialmente quando falamos de mulheres e homens gordos.

O tratamento para esses transtornos é complexo e demorado, o que me leva de volta a seguidora que nos enviou seu relato. Coloco aqui abaixo o texto dela:

“Eu tinha 17 anos. Estava prestes a cursar o último ano do ensino médio quando, no que eu acreditava que seria mais uma consulta médica da qual eu sairia sem qualquer medida significativa que me auxiliasse no tratamento, recebi a notícia de que não poderia voltar para casa. Diante do estado grave em que eu me encontrava devido a anorexia, a médica determinou que eu ficaria internada por dois meses.

A determinação foi atendida. E posso dizer que foi o que salvou a minha vida. No primeiro momento, foi desesperador pensar na ideia de que eu iria perder os primeiros meses do ano do vestibular. Me desesperou pensar que, enquanto a vida seguiria lá fora, eu passaria um bom tempo sem meus amigos, sem a minha família, sem a minha vida.

No entanto, logo percebi que o desespero não iria me fazer receber alta mais rápido. Pelo contrário: quanto mais impaciente e ansiosa ficasse, mais lentamente passariam os dias. Foi quando decidi ocupar todo aquele tempo com algo que sempre amei: a escrita. No primeiro dia de internação, decidi que daria continuidade ao blog que havia criado uma semana antes da internação.

Passei, então, a escrever quase diariamente, não só sobre as dificuldades relacionadas ao transtorno alimentar, mas também sobre o dia a dia no hospital. Tinha como objetivo não apenas ocupar os meus dias e desabafar através da escrita, mas também – e principalmente – tentar ajudar a quem pudesse estar passando por situação parecida.

Hoje, já saudável física e mentalmente, voltei a postar no blog com esse último objetivo. Pois, no auge da doença, uma das coisas que aprendi foi o quão importante e significativa é a leitura de relatos de pessoas que estão conosco, enfrentando a mesma luta.

O meu blog é www.hojenaovoudeixarpramanha.blogspot.com.br. Fiquem à vontade caso queiram visitar o blog ou até mesmo divulgá-lo. Adoraria contribuir dessa forma, não só por essa página, mas também por cada uma das mulheres que, talvez lendo esse blog, possam perceber que não estão sós e que a cura é, sim, possível”.

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