Eu queria ser eu

Quando criança, eu era totalmente fora dos padrões: gorda, cabelo crespo, usava óculos, tinha os dentes tortos. Isso contribuiu muito para que eu construísse uma auto estima frágil. Eu precisava que as outras pessoas me amassem, por isso eu aceitava tudo o que me era imposto, e raramente dizia “não” – na escola e, posteriormente, na faculdade, eu era a que fazia as atividades para o grupo; as minhas amizades eram geradas por interesse (salvo algumas exceções), quando precisavam de mim apareciam, quando eu precisava, que eu me virasse.

Nos meus relacionamentos afetivos não foi diferente. Eu fazia de tudo para agradar, mesmo que muitas vezes eu desagradasse a mim mesma. Eu queria me sentir amada, queria dois bonequinhos num bolo de casamento, e o felizes para sempre… Essas coisas que quase todas as mães acham certo enfiar goela abaixo nas suas filhas. No meu caso, eu tinha duas irmãs mais velhas para perpetuar um machismo azedo e retrógrado em cada passo que eu desse.

Contudo, as coisas começaram a mudar quando eu comecei a refletir sobre o que eu realmente queria na minha vida: e eu queria ser eu. Queria parar de alisar meu cabelo; queria construir amizades sinceras; queria ter um companheiro que me amasse de verdade; queria experimentar de tudo nessa vida para depois poder dizer: é, disso eu realmente não gosto/ uhm, adoro isso.

E foi assim que eu deixei muita gente para trás, construí amizades sinceras, construí relacionamentos concretos: a partir de uma mudança da MINHA postura. Eu mudei a minha forma de ser com o mundo e hoje sou dois centímetros mais alta – e imensamente feliz. Aprendi que os padrões são válidos, mas não para todo mundo; que a beleza é muito mais interna do que externa; que amizades verdadeiras existem, mas exigem muito esforço; que a história “todos os homens são iguais” é uma invenção social; que a história “onde tem muita mulher só dá briga”/ “toda mulher é fútil” é uma invenção ridícula para desunir ainda mais as mulheres e que dá para ser íntegro na selva de pedra na qual nós estamos inseridos.

 

Espero que a minha história inspire muitas mudanças de postura. Dá para ser diferente; só precisamos acreditar na mudança – e não perder o foco de onde estamos indo.

Tags:,

Comentários