Eu sobrevivi

Segue relato anônimo de uma seguidora da página. Relato de um relacionamento abusivo e agressões.


As brigas ficaram cada vez mais frequentes.

Eu já não podia te contar sobre meu dia, porque você me intimidava, me cobrava, coibia. Já não havia mais um amigo ali, mas eu acreditava que era normal, que seu ciúmes e cobrança eram excesso de amor.

O riso frouxo deu lugar à lágrima, que descia atrevida e quente, fazendo arder minhas bochechas, fazendo aumentar a minha vergonha por ter apostado em mais um relação que fracassou. Tinha medo de ficar sozinha (de novo), chegava que o problema fosse eu.

A perversão com que você mexeu com psicológico me fazia crer que eu realmente o amava, que eu não poderia mais viver sem você.

Mas chegou em um ponto em que realmente não deu pra aguentar. Você me agrediu, fisicamente. Uma, duas, três vezes. No início foi só um empurrão, mas em pouco tempo você já estava com as mãos envoltas em meu pescoço, apertando-o com força. Então peguei minhas coisas e fugi.

Eu nunca contei pra ninguém até hoje. Tenho vergonha de dizer que uma mulher instruída, consciente, apanhou do marido. Muita gente vai me julgar (inclusive minha família). Vão dizer que me casei nova e que deveria escolher melhor meus parceiros. Vão dizer que mulher que apanha e continua ao lado do agressor gosta de apanhar.

Não, eu não gosto de apanhar, eu não gostava, nenhuma mulher gosta.

Você dizia que se eu não fosse sua, não seria de mais ninguém. Fui à polícia, chorando muito, então você sumiu.

Hoje vejo que aquilo nunca foi amor e as marcas disso ainda doem em mim. Há menos de 6 meses isso aconteceu.Estou em um outro relacionamento, mas vira e mexe, sinto medo e choro.

Então meu coração aperta. Sei que você nunca vai ler isso, mas estou dirigindo esse relato à você que é pra desabafar e poder dizer: eu sobrevivi a você.

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