Garota Normal

Segue relato anônimo de seguidora da página.


 

“Eu queria que você fosse uma garota normal”

Eu lembro a primeira vez que ouvi isso. O motivo era simples, eu não queria transar, não queria perder a virgindade. Eu queria namorar, beijar na boca, sentir carinho… Mas não queria transar. E eu “tinha que transar”, pois “eu já tinha ido longe demais”. Ou pelo menos começar a fazer sexo oral, pq isso “não é perder a virgindade”. Mas eu não queria.

E por isso, aos gritos, eu ouvi que deveria ser uma garota normal. Porque “garotas normais” dão sexo aos parceiros quando lhes é solicitado.

Isso me gerou traumas que atrapalharam todos os meus relacionamentos seguintes e a minha relação com minha sexualidade. Me tornei ainda mais fechada do que eu já era por conta da opressão religiosa, me fechando pra contemplar meu próprio desejo, pra me permitir querer sexo, sentir tensão e ter qualquer contato íntimo.

Mas tive. Graças ao feminismo eu me libertei. Lentamente fui retirando de mim os paradigmas impostos de “mulher direita” pra assumir o caminho de “mulher feliz”. Foi um longo processo. Mas me permiti prazer sem culpa e em paz.

Depois de um tempo me casei. E foi ali que ouvi pelo segunda vez
“Eu queria que você fosse uma mulher normal”

Então normal quis dizer “uma mulher que sabe ser esposa”. “Se comportar como uma mulher casada”. Uma mulher monogâmica, calma, que não levanta a voz, não se opõe, não gosta de sair de casa, mas sai, se for quando e como o marido quer.

Toda a dor e pressão para ser “normal” volta em segundos. Só que desta vez eu não estou sozinha, o feminismo me ensinou a ver mais do que um um dois homens sendo babacas, me ensinou a ver o poder do patriarcado.

Ser “normal” para os homens é o que eles querem que eu seja. É ser submissa a vontade deles. Ser “uma mulher normal” sempre entrará no contexto de você fazer o que o homem espera que você faça. Por isso é que enquanto uma mulher não estiver livre nenhuma estará.
Eu não quero ser “uma mulher normal” enquanto isso significar ser obediente as expectativas dos homens.

Eu sou o que eu quero ser e farei o que eu quero fazer é isso não faz de mim menos mulher, faz de mim liberdade encarnada.

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