Hoje tenho consciência de todos os abusos que sofri

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Eu sofro de dependência afetiva. Eu hoje decidi não sofrer mais. Decidi que não vou mais estar nesse ciclo que me consome a alma e o coração. Eu estou com muitas dificuldades de me ver, com muitos ruídos metais e uma tristeza profunda, não porque terminei um relacionamento ou porque sofri abusos psicológicos, porque fui rebaixada como pessoa e vivi amores que não eram de verdade ou real.

Eu sofro porque eu aceitei, porque eu deixei e me rebaixei. Porque mesmo sabendo que tudo estava errado eu continuei a insistir em um amor doente, que não tem como ser salvo, que não há saída. O processo de entender o que aconteceu comigo é sim importante, mas doloroso, reviver todas as ofensas, as mentiras, as omissões, as culpas que me foram atribuídas é realmente algo que me faz sofrer. Relembrar cada palavra cada gesto e se dar conta que não são normais, não foram normais e que eu não mereço ser tratada da forma como eu fui.

A esperança é um poder, que se manipulada por ser algo destrutivo. Minha esperança foi manipulada, a esperança que as coisas iriam muda, que a vida se tornaria mais bela, que a estabilidade iria chegar algum dia. Mas não, ela não chega, e ela não chegará.

Minha história é bem complicada em geral e por mais estranho que possa ser “agradeço” o fato de ter sido abusada nesse último relacionamento que estive justamente por que agora tenho consciência de todos os abusos que sofri na minha vida sentimental. Quando perdi a minha virgindade, jovem sonhadora e cheia de esperanças eu fui estrupada.
Sim, foi dessa forma, sem consentimento que comecei a ter relações sexuais. Eu não queria, estava com medo e me sentia acuada e mesmo assim ele me obrigou colocou-se em mim como se meu corpo não me pertencesse. Amar? Como seria possível depois dessa experiência, não tinha entendido que havia sido abusada, achava que era normal, afinal (-homens são assim mesmo, eu escutava), eles não gostam de frescuras, eles não tem paciência… Você não pode deixar um homem esperar se não ele ira te deixar. Ai talvez foi o começo do medo enorme que senti sobre o abandono. Sabia que não poderia fazer um homem esperar porque eu iria perde-lo e como arriscar perder algo que você ama. O que eu não sabia, é que quando você é amado não há espaço para o medo.

Um pouco antes do meu primeira relação sexual, me lembro de no colégio ser apaixonada por um garoto, eu tinha uns 12/13 anos. Eu gostava muito desse garoto, ele era bonito interessante charmoso e sim me dava indícios que também gostava da minha companhia. Certo dia ele me chamou para brincar na rua do lado de casa junto com outros colegas de escola, em um canto escondido da rua ele e mais 5 garotos me obrigaram a beija-los, sim, me encontrei contra um muro com medo assustada e sem reação e fui tocada e beijada por 5 garotos diferentes dos quais e não queria ter nenhum contato. Abuso? Sim…mas não entendi aquilo como abuso. Não conseguia ver que era uma violência, mas essa história nem minha melhores amigas, as pessoas que eu mais amava sabem, porque eu tive e tenho vergonha de contar, falar. A vergonha de ter sido tocada me paralisava…Seria um indicio talvez de ter sofrido um abuso? Eu não possuía o repertório necessário para nomear dessa forma. Abuso. Coisas que dão tanta vergonha que você é incapaz de falar, a única coisa possível é de seguir e fingir que nada aconteceu.

Meu primeiro namorado era 15 anos mais velho do que eu. Ele me escondia coisas, nunca dizia onde estava o que fazia e se perguntasse eu era maluca, controladora e ciumenta. Não tenho o direito de saber o que esta acontecendo… Sabia que havia coisas obscuras mas não sabia o que era. Uma vez estávamos de moto e passamos por uma batida policial, ele não parou, ele fugiu do controle policial e a poucos metros jogou algo fora… Uma arma. Ele estava armado e fugiu do controle policial por isso. Depois de um tempo de perseguição, ele parou, me lembro do policial dizendo “eu não atirei porque vi que havia uma criança na garupa da moto, você usou essa menina como escudo” disse o policial, não esqueço. Foi pra delegacia, foi humilhada revistada e liguei para meus pais, que foram me buscar. Nunca mais voltei para essa relação. Um belo dia estava em frente da minha casa com amigos com sempre costumava fazer e meu ex chegou me dizendo que precisaria falar comigo urgente, que eu teria que escuta-lo que ele precisava se despedir… Eu disse que não havia mais retorno e que não queria mesmo vê-lo. Não, não iria falar com ele, e segui andando com amigos até a praça do qual frequentávamos, ele me seguiu e ficou do meu lado insistindo muito tempo que era importante e que era algo de vida morte. Algum tempo depois desconfortável com sua insistência eu resolvi ir embora e ele me acompanhou mais uma vez contra a minha vontade. Quando cheguei próximo a porta para entrar ele não deixou e me disse que estava sendo ameaçado de morte e que iria morrer em breve e que eu lhe devia um último beijo um último abraço. Eu fugi, correndo sem olhar para atrás e consegui entrar em minha casa. Pouco tempo depois, por volta das 3 horas da manhã, o interfone de casa toca, me pai atende e me chama, do outro lado da linha um velho conhecido da minha irmã mais velha “- Olá, aconteceu algo acho que seu namorado morreu, eu reconheci o seu corpo, vim de avisar, vamos no local do “acidente” comigo para que você possa reconhecer o corpo” Meu pai me proibiu de ir, o que agradeço até hoje, pois não iria aguentar ver . Liguei para sua mãe, sim foi eu que avisei a mãe dele que ele tinha sido encontrado morto à tiros em um rua e que um colega havia me comunicado, que não sabia de mais detalhes, mas poderia dar-lhe o contato desse colega pra ela localizar seu filho. Foi assim que terminou minha primeira relação amorosa.

Logo depois comecei a ter crises de pânico. Em todos os lugares, mas especialmente em lugares públicos. Lembro-me de que meu pai buscava-me quando tinha essas crises, elas erram realmente atrofiantes e terrificantes. Meu coração disparava, minha pupila dilatava ao ponto de que eu não conseguia enxergar as coisas como elas eram realmente às formas e volumes, a alteração da minha respiração era tal que tinha absoluta certeza que iria ter um enfarte cardíaco. Foi com muito trabalho e muito amor da minha família que eu consegui superar essa questão na minha vida. Meu avô paterno me deu uma pequena carta e me disse que toda vez que eu sentisse medo ou que eu imaginasse que a crise iria chegar ( por que sim chega um momento que você tem uma “crise de pânico” por medo de ter uma a crise de pânico) eu lia a carta, controlava minha respiração e lia. O amor daquelas palavras de meu avô me salvou! Amor puro de homem tão lindo e tão sábio.

Depois dessa, tive outros dois significativos relacionamentos. O segundo, um rapaz muito amável e digno, porém que sempre esteva em um mesmo lugar, sem grandes ambições de crescer e se desenvolver como pessoa. Tivemos uma relação com muito respeito e muito amor por algum tempo. Até o dia que ele me disse que tinha encontrado outra garota e que gostaria de conhecê-la. Terminamos. Sem grandes brigas ou grandes sofrimentos. Algum tempo depois ele me procurou, me pediu para nos encontramos e voltou a me cortejar. Acho que a relação que ele queria ter com outra garota não tinha dando muito certo. Voltamos tivemos relações sexuais e eu engravidei, não queria. Era bastante jovem, e tinha muitos planos de estudar terminar meus estudos viajar, ter uma vida plena. Uma gravidez iria me prender a ele para o resto da vida e no fundo do meu ser sabia que não queria isso. Tive um aborto. Doloroso, triste, que me deixaram marcas e traumas profundos. Do qual eu jamais soube fazer algo para remediar. Esse aborto foi conveniente sim na minha idade e na minha situação, porém a culpa era enorme e nada poderia justifica-lo dentro do meu coração mesmo que tenha chegado a uma boa hora. Depois disso não consegui mais vê-lo. Evitei suas ligações suas mensagens e ficamos muitos anos sem nos falar. Após esse trauma eu vivi lindos dias de calmaria e solidão, terminei meus estudos do colegial, fiz uma formação técnica maravilhosa, comecei a trabalhar em um local incrível. Sim eu conhecia pessoas, tinha uma rede de amigos maravilhosa que são meus companheiros de vida até hoje, me reorganizei, me estruturei. Entrei na faculdade, viajei, abri meus horizontes, conhecei mundos novos, aprendi a me amar e me relacionar diferente com a vida. E essa foi sim a melhor parte de mim, quando eu estava apenas preocupada com o meu bem estar e minha evolução pessoal. Não é egoísmo, era amor profundo por si mesmo, orgulho de suas conquistas, reconhecimentos próprios.

Foi uma fase muito linda na minha vida. Pensei naquele momento que sim, estaria pronta para amar de novo e ser amada. Encontrei outro homem gentil amoroso e que me encantava com sua sabedoria. Ele era muito ideológico, descontruído, feminista, libertário, realmente uma pessoa que correspondia de fato as minhas expetativas de uma relação saudável. Quando começamos a nos relacionar ele também havia iniciado uma relação com outra garota, descobri isso porque ele me levou na casa dela e me apresentou, assim simplesmente… Não entendi nada… Não sabia como reagir e o máximo que consegui ser, foi, educada. Ele me disse que era assim que suas relações, sua opção era ter relações livres, ou seja, onde ele possa se relacionar com quem ele quiser como ele quiser sem dar grandes explicações mesmo para as pessoas com as quais ele se relaciona. Mesmo deixando minha posição clara de que não era esse tipo de relacionamento que eu gostaria de ter com ele, aceitei, mas uma vez aceitei; Talvez por ingenuidade, falta de força, não dá pra explicar o porquê aceitamos algo que não nos corresponde. E claro nada que começa assim, onde passamos dos nossos limites vai terminar bem, entre um monte de idas e vindas, de relações com outras pessoas etc. o declique aconteceu. Ele me obrigou bêbada a ter uma relação a três, eu ele e outra garota. Essa garota depois disso foi morar na mesma casa que ele. Sim, eles moravam juntos, ele jurava que não havia nada com ela que era apenas amigos, e que morava junto porque ela não tinha pra onde ir. Eu me perdi em ciúmes e desconfiança. Ele mentia. Sim, mesmo que realmente não tivesse nada com a garota, o simples fato de depois de me obrigar a ter uma relação a três e a convida-la a morar com ele já era o suficiente. A relação depois disso não sobreviveu muito tempo. A mãe dele interviu e viu que eu estava completamente destruída me lembro dela até me levar no médico porque tinha perdido mais de 10kgs.

O tempo passou, voltei para faculdade, sim esse meu ex namorado também me fez largar a faculdade, me isolou dessa forma, vazia com que eu fosse pra cidade dele vê-lo e jamais estava disponível para dividir as viagens comigo, nem os gastos, pois tudo era eu que pagava, ele não tinha trabalho e fazia pequenos bicos para se ajeitar e quando ele vinha pra minha cidade, apenas podíamos frequentar os amigos dele.

Bom, retomei a faculdade, pouco a pouco as coisas foram se colocando no lugar novamente, ali realmente constatei que estar sozinha e focada nos meus objetivos era muito mais agradável e importante pra mim do que estar em relacionamentos. Depois de alguns anos, estava quase para me formar faltava muito pouco alguns pequenos messes depois de 6 anos de curso. Estava no meu auge poderia dizer, estava com a força de realizar meus projetos pessoais, tudo o que eu sonhava como carreira profissional, redes sociais, amigos, atividades de lazer e prazer estavam acontecendo na minha vida de uma maneira muito intensa e bonita, em uma das minhas conquistas fui trabalhar no Teatro, era o meu estágio / vivência externa para a faculdade, a partir dessa experiência faria o último trabalho para me formar. Estava bem, tinha convite para trabalhar no escritório de um de meus professores, depois da formatura. Tudo parecia bem encaminhado e fluido muito bem. Nesse estágio conheci meu atual abusador. O pai de minha filha. O meu ex companheiro do qual quero me desapegar completamente e seguir em frente.

Saímos, ele estava aqui um pouco de férias e um pouco à trabalho, Ele é de outra nacionalidade, europeu. Veio para trabalhar nessa companhia de teatro porque se apaixonou por uma das atrizes. Foi convidado para participar da criação dessa mesma peça do qual eu trabalhava e aceitou porque dessa forma poderia retomar o contato que essa atriz que ele havia conhecido na Europa. Chegando no Brasil essa mulher não o quis, não quis mesmo encontra-lo. Fiquei sabendo dessa historia mesmo antes dele chegar para trabalhar na peça. Éramos um grupo de colegas do trabalho saímos juntos e conversávamos, estávamos construído a peça a cerca de 6 messes, da adaptação do texto até a primeira apresentação. Ele chegou no fim do processo e operou a luz segundo as nossas instruções de criação. O primeiro dia que o vi, percebi um olhar diferente, ele hesitou ao me cumprimentar foi talvez seu primeiro charme. Não dei importância no momento, mas ficou registrado de certa maneira nas minhas lembranças. Fizemos algumas festas com os colegas de trabalho em uma dessas festas na casa de uma amiga, dançamos e ficamos juntos a primeira noite. Depois disso tivemos vários encontros, íamos comer juntos, saímos para dançar , fomos viajar juntos…etc. Ficamos mesmo bastante tempo juntos. Quase todo o tempo que ele ficou no país passou comigo. Eu engravidei em uma viagem que fizemos juntos. Eu lhe avisei claramente que não tomava pílulas anticoncepcionais. Ele me confirmou que entendeu. Fizemos sexo. E ele tinha consciência que isso era um risco. Logo depois tomei pílulas do dia seguinte, para garantir a contracepção. Não funcionou. Entrei em pânico porque sabia que ele ira partir em breve do país e me senti completamente insegura em relação à gravidez. Passaram-se dias, depois que soube que estava grávida. Pensei em mesmo não dizer a ele o que estava acontecendo. Trabalhávamos juntos nos víamos praticamente todos os dias. Falei. Contei o que estava acontecendo e perguntei-o que iriamos fazer daqui pra frente. O que ele gostaria de fazer. Ele me disse que queria assumir o seu filho. Continuamos saindo e depois ele me disse que gostaria que eu muda-se par o seu país, para criar a criança juntos com um casal. Achei um absurdo. Eu estava muito bem no Brasil, todas as possibilidades de realização na profissão, amigos, família, tudo estava lá, sólido e estruturado dessa vez.

Decidir ficar e terminar os meus estudos pelo menos até o fim do ano e depois pensaria o que faríamos. Falamos por e-mails sempre, ligações de Skype, tínhamos bastante contato. Quando foi chegando ao fim do ano, decidi ir. A insegurança de ter um filho sozinha falou mais alto, e ele soube me conquistar, eu realmente acreditei que ao lado dele eu e minha filha estaríamos seguranças seriamos amadas. Eu disse a ele que iria e que precisava providenciar alguns documentos. Pesquisamos passagens, pesquisamos nomes de bebes, escolhemos o nome da nossa filha tudo pela internet. Parti para a Europa com 5 messes de gravidez. E tinha 100 reais que me pai me deu para viajar. Naquele momento da vida tinha pouco dinheiro, recebia uma bolsa de estudos/estágio da escola e era tudo. Estava focando no trabalho final para me formar por isso não estava trabalhando.

Cheguei aqui ele me tratou como se fosse uma princesa, tudo estava pronto para eu chegar, tudo estava lindo arrumado organizado pra minha chegada e a chegada de nossa filha. E assim os dias seguiram até pouco tempo antes do meu parto. Eu ainda me correspondia com os meus professores compartilhava trabalhos. E pedi o aparelho dele para tirar umas fotos de casas. Quando cheguei a casa baixei as fotos no meu computador meio sem prestar atenção conversando com ele… E as salvei. Pouco tempo mais tarde fui ver e organizar as fotos, e vi que havia vídeos e imagens dele que vieram junto com as minhas fotos. Era imagens o mostrava dançando e beijando abraçando outra mulher mas não qualquer, a pessoa que gostaria que fosse madrinha de Sarah ele gostaria mesmo que nossa filha portasse o nome desta mulher. Não entendi. Mas também não falei nada. Nos dias que seguiram fiquei muito nervosa e acredito que esse estado de espirito tenha me feito parir com tempo de avanço. Quando Sarah nasceu ele foi leve e calmo, a filha lhe trouxe muita paz e luz. Mas logo que ele começou a se cansar de ser “pai” começaram as manipulações.

Ele me fazia acreditar que tudo era minha culpa ou meu erro ou que eu havia provocado ele para cometer erros, ou seja, mesmo quando ele estava errado, era minha culpa, pois eu que o havia provocado. Não havia saída de qualquer maneira ele estava certo e suas visões e crenças deveria absolutamente serem respeitadas e que pra isso, eu deveria fazer da forma que ele estava indicando, sempre. Sem espaço para diálogo ou qualquer coisas que pudesse parecer com uma conversa com empatia ou escuta. Nada. Restringir o dinheiro, foi o segundo passo. Eu não trabalhava, durante 6 messes fiquei em casa cuidado da minha filha. Depois disso fui fazer o curso de francês, tinha aulas 5 vezes por semana. Sarah começou a ir para creche. Isso foi do final do ano para o começo. No meio do mesmo ano em setembro entrei na master na faculdade da cidade grande. Lá tudo piorou. Ele restringia ainda mais o dinheiro. Eu deveria pedir dinheiro para ele para qualquer coisa que eu gostaria de comprar mesmo as coisas da casa e a as necessidades da Sarah. Ele gostava de me colocar nessa posição de inferioridade.

Depois começaram as cobranças, primeiro começaram a chegar as cartas de empréstimo, depois foi a sua mãe o seu tio dos quais ele devia o aluguel. Isso chegou até oficial de justiça vir na minha casa três vezes e a última vez para fazer um inventário dos móveis que seria confiscados. Eu nunca entendi da onde vinha essa desorganização, com o salario que ele ganha daria para gestionar as necessidades da casa, sem dividas. Ele chegava bêbado e tarde quase todas as noites, seu trabalho no teatro era a desculpa. Mas sabemos que não bebemos no nosso trabalho. Ele dormia na minha cama e quando acordávamos pela manha o quarto todo cheirava álcool. Inúmeras noites foram passadas assim. Ele mentia, quando era confrontando sobre o seu problema de dinheiro dizendo que tudo estava bem e recusava ajuda que eu oferecia para resolver a questão. Mentia também sobre seus horários, omitia coisas, escondia coisas. E isso foi se transformando em algo muito difícil de lhe dar. Eu perguntava, ligava, pedia para comunicar avisar responder, e toda vez era taxada de louca ciumenta e possessiva. Não entendi. Sim é verdade tinha ciúmes, mas suas atitudes não correspondiam com um ambiente seguro e de confiança. Essa situação foi ficando pior, tudo o que dizia respeito à casa e a criação da nossa filha eu resolvia praticamente sozinha, eu me ocupava, me preocupava de tudo que deveria ser feito, mesmo que fosse para lembrar que ele deveria fazer algo. Nada vinha como espontaneidade dele, uma ação genuína de cultivo da sua própria casa, família, esposa, ou filha. Tudo deveria ser pedido, falado, lembrado. Inclusive as contas e todo o resto.

Toda essa responsabilidade era mais difícil de ser gestionada sozinha não pelo fato de estar fazendo sozinha, mas sim pelo fato que não estava sozinha e mesmo assim deveria faze-la só. A prioridade era seu trabalho, e todos os horários não importasse o que houvesse deveria ser organizados em seu tempo livre e de folga, era a única possibilidade de colaboração que ele poderia oferecer. E foi dessa forma que ele roubou a autonomia do meu tempo. Tudo que eu iria fazer deveria ser no seu tempo livre, e mesmo que tivesse aulas deveria sair das minhas aulas para atender as necessidades da minha filha. Não temos como pagar babá justamente porque ele tem apenas dívidas e não deixa o dinheiro que tem disponível à decisões dois. Então me senti presa. Não pelo fato de ter que me adequar à vida de uma mãe que prioriza os horário do filho. Senti-me presa porque estava isolada, sem apoio, sem amigos, que poderia ficar com a Sarah por exemplo algumas horas por semana. Não tinha com quem contar. Apenas ele, que colocava suas imposições sem nenhum espaço para negociação. Toda vez que tocava no assunto de horário ele me ameaça, dizia que deixar o emprego e que iriamos viver de pasta. Era isso que ele me dizia. Mas já estávamos vivendo de pasta. Aprendi a ceder, afinal uma manhã ou outra ele leve-la Sarah na creche, atendia ele durante noite… dava banho…etc. Coisas que pais normais fazem todos os dias com seus filhos. E isso deveria ser reconhecimento, eu deveria me satisfazer e ele deveria ser vangloriado. Reclamava que não dormia que não tinha tempo para descansar, que apenas trabalhava. E que não via os amigos etc. Mas não eram raras, de duas ou três vezes por semana, as vezes mesmo todos os dias da semana, ele chegava muito tarde em casa e alcoolizado.

Tentei uma conversa e ele me disse que o problema era meu ciúme e minha possessão. Decidir pedir a separação e pedi para ele sair da casa até que as coisas se resolvessem, Ele não quis sair e me ameaçou que iria pedir uma advogado para defender seus direitos. Depois de um tempo começamos movimentos de voltar e nos separarmos, fazíamos sexo e logo em seguida minutos depois ele agia com indiferença e agressividade, Ouvi mesmo que ele era homem que precisava de sexo, e por isso fazia “ precisava esvazia seu saco” . Até que ela começou a vir realmente agressivo fisicamente. As ofensas eram diárias a indiferença e falta de educação rotinas constantes todos os dias. Nada poderia ser falado por mim sem um resposta mau dada ou atravessada. Fique em silencio certo tempo, mas as faturas de cobranças chegavam, oficial de justiça em casa e monte de coisas que estavam acontecendo vazia que eu sempre o procurasse para conversar. Ele ainda estava morando comigo, mesmo eu pedindo pra ele sair, mesmo que por um tempo não importava. Dormia no sofá e eu não podia mais entrar na peça para assistir televisão se quisesse a partir do momento que ele entrava em casa não tinha mais o direito de acessar o cômodo. Nenhuma conversa era possível, eu tentei discutir a relação, entender o que ele sentia, colocar termos na nossa separação, fazer um acordo sobre a guarda da nossa filha, achar soluções para a situação que estávamos vivendo. Mas quando me aproximava dele para uma conversa ele me insultava e xingava, até que um certo dia ele me agredi de fato. Ele já havia mostrado comportamentos agressivos por diversas vezes.

Em Avignon, por exemplo, Sarah tinha três messes de vida, andávamos pela rua, ele com ela no colo, um carro passou muito perto de nós. Ele parou o carro e começou a discutir gritar agressivamente bêbado com a filha de 3 messes no colo. Lembro-me das pessoas na rua gritando pra eu tirar o bebe dos braços dele. As coisas que ele quebrava na casa em discussões que tínhamos, o vidro do toca disco, a porta do quarto, o piso, a mesa… etc. Sim ele dava sinais, eu que não consegui ver, estava em um espécie de bolha, amortecida, não vi quem ele era não conseguia ver que tudo aquilo não era normal, que pessoas não se comportam dessa forma. Ele começou e expulsar do mesmo cômodo que ele a força mesmo, me pegava nos braços contra minha vontade e me jogava no chão do outro cômodo e fechava a porta. Até o dia que ele me jogou no chão e me empurrou contra o armário da cozinha, bati minhas costas forte e tive muita dor. Só ali percebi que era impossível, que não existia como seguir. Pedi pra ele sair de casa, alguns dias depois, ele saiu, acredito que porque eu fui à policia relatar a violência. Mas seu controle ainda continua, ele aparece quando quer aqui, me telefona quando quer no pretexto de falar com sua filha e me trata da pior forma possível. Ignora-me, é indiferente, não paga as contas que ele deve pagar nem mesmo pergunta se a filha precisa de algo. Apenas faz o seu teatro de pai… Talvez para Sarah não esquecer da sua face, e ele continuar a ter controle sobre nós.

Hoje encontrei um advogada e vou na justiça regulamentar visitas, diretos e obrigações sobre tudo que engloba a relação que teremos que ter daqui pra frente, para podermos cuidar de nossa filha. O passo seguinte é sair da sua casa de sua família assim vou sair de seu controle vigia constante. Ter um espaço pra mim e minha filha onde enfim eu posso chamar de meu, com as minhas responsabilidades assumidas apenas pelas minhas capacidades e esforços. Reencontrar minha independência. Hoje eu escolho minha autonomia, escolho ser feliz com quem sou e com o que escolhi para minha vida, com a consciência tranquila, com paz no coração quero seguir construído meu futuro e o da minha filha para que possamos avançar.

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