Primeiro dia de Carnaval

Relato anônimo de uma das seguidoras da página. Aviso para descrições explícitas de estupro e violência.


Aos 20 anos, desci com mais 6 amigas, uma inclusive seria minha cunhada, para curtir o primeiro dia de carnaval no Bar do Ponto, perto da padaria. Deveria ser umas 20:30 e 6 rapazes em fila começaram a nos seguir e passar a mão em nós todas…. eu era a última da fila.

Quando um deles me passou a mão eu o chutei na canela…. Minhas ‘ amigas” todas fugiram. Fiquei sozinha nas mãos dos seis homens….. rasgaram minha roupa, me jogaram ao chão… me arrastaram querendo me levar em direção ao morro. Morderam meus seios, me enfiaram dedo… eu desmaiava e voltava ….. via um monte de rosto… mas ninguém me ajudava. Fazia exatamente 6 meses que havia perdido meu irmão e no meio daquela confusão toda, vi uma mão estendida pra mim….

Um rapaz jovem, de uns 19 anos… Peguei em sua mão e todos se afastaram – ele me levou em segurança até o posto de gasolina. Sem dizer uma palavra me entregou aos policiais e sumiu no meio do povo…. veio um outro rapaz , arrancou sua camisa e me emprestou. Os PMs me levaram na casa de um deles e me deram um vestido da esposa pra eu usar. Quando cheguei em casa, meu pai ficou pálido, minha mãe desmaiou.

Fiquei traumatizada por 10 anos….. Enquanto isso, os sedentos por notícias puseram no Jornal que eu estava semi nua, usando um short minúsculo e barriga de fora. Era a mesma fantasia que sua mãe e mais outras tantas colegas usavam, shortinho e blusa de tecido alegre, colorido, cheio de carrinhos e flores. Éramos um bloco e eu iria me encontrar com elas – ISSO ACONTECEU COMIGO….TENHO TRAUMA ATÉ HOJE!

Mas o marido da prima de minha mãe, era coronel na época – todos foram presos e tiveram o castigo que mereceram. Apanharam feito condenados por 4 dias -entre eles havia um casado, pai de 2 filhos.

Ah…detalhe…tenho certeza de que o rapaz que me estendeu a mão foi meu irmão materializado no corpo de alguém….porque eles queriam me matar – a intenção deles era me estuprar e me matar, e eu gritei muito pelo meu irmão… só chamava por ele na hora.

Aconteceu no carnaval de 1983, minha mãe invadiu o Jornal… deu uma surra no Diretor, quebrou máquinas de escrever, quebrou os óculos dele, rasgou a camisa dele. Apanhou pra valer – meu pai foi junto e ficou só olhando o estrago. Ele não moveu uma ação contra ela, porque ele sabia do mal que causou a mim com seus comentários maldosos em sua página. Nem tiveram o cuidado de manter meu nome em sigilo no jornal – puseram meu nome inteiro e ainda fizeram chacota.

Não posso me lembrar disso que choro até hoje…..já se passaram 32 anos.

 

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