Que um dia isso mude

Segue relato anônimo de uma seguidora da página.


O relato que venho aqui descrever não aconteceu comigo, mas me fez perder o sono muito tempo, ter vontade de revidar de alguma forma, e ainda faz, dói aqui dentro do peito.

Sempre tive meu pai em grande apreço, pra mim ele era perfeito, sem defeitos. Sempre fui muito feliz por ter pais tão bons, já que minha mãe era a típica mãe compreensiva e esposa ideal, disposta a tudo para apoiar seu marido, até mesmo entrar em grande depressão da qual até hoje sinto as marcas nela e em mim.

Cresci vendo meu pai ter ataque de fúria, gritar com a minha mãe muitas vezes, mas não agredi-la, uma vez que ela nunca permitiu tal ato, mas acho que os gritos machucavam mais que um tapa na cara.

Quando fiquei mais velha, por volta dos meus quinze anos, um dia mexendo no celular do meu pai, como de costume, pois ele sempre tinha os melhores celulares, acabei descobrindo mensagens de uma mulher pra ele, na qual ela o chamava de meu amor e ridicularizava minha mãe a todo momento, a chamando de idiota, besta e covarde.

Não consegui deixar passar isso, liguei pra essa tal mulher e descobri que era verdade, ela era sua amante e que estavam juntos há muito tempo. Aquilo me desceu rasgando a garganta, como contaria para minha mãe tal coisa? Como contaria para a esposa dedicada que seu marido tinha outra? Pois bem, contei, e ela me disse que já desconfiava, e que aquilo seria entre nós.

O tempo foi passando e só conseguia ver atitudes baixas do meu pai. Sempre escondendo o celular pra ninguém ver, atendendo ligações escondidas, viajando mais que o normal (já que ele trabalha com viagens). Quando conseguia, pegava o celular dele e via suas ligações, fotos com ela na praia, lugar onde ele nunca nos levava, e mais mensagens ridiculizando minha mãe. Aquilo me doía tanto que nem sei dizer, só pude me afastar do meu pai.

Ficávamos sabendo da boa vida que ele dava à ela. Construiu casa, deu moto, e desfilava com ela por todo lugar, a chamando de esposa, sendo que todos sabiam que ele era casado e grande maioria conhecia minha mãe.

Quando a situação estava incontrolável, minha irmã me ligou e tentou conversar comigo, tentando me convencer que a grande culpada por aquela situação não era ninguém mais que minha mãe. Nunca mais esquecerei suas palavras : “entenda, sua mãe é a única culpada por isso, já que ele é homem e faz essas coisas. Ela não poderia deixa-lo tão sozinho, coitado. Veja o lado dele.” Não discuti, apenas não pude acreditar como ela pôde dizer aquilo. Acredito que não somos culpadas de nada, somos apenas vítimas de certas circunstâncias.

Minha mãe não se separou. Não sei se isso foi o certo. Ela entrou em uma depressão sem fim. Muitos criticaram a sua postura, mas a entendo, ela teve seus motivos.

E hoje vejo as marcas dessa traição em rosto gasto e sofrido, no seu pensamento de se achar a mulher mais feia e gorda do mundo. Não é fácil hoje ver o meu pai com os mesmo olhos, mas tentarei um dia perdoa-lo.

Muitos a criticaram, a condenaram, mas isso doí mais em mim, pois vejo o quanto a mulher ainda é hostilizada, a pessoa errada e o homem é o coitado da história. Não consigo acreditar que ainda existe mulher que pensa que ela é a errada. Espero que um dia isso mude.

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