Sem beijo, sem abraço, sem respeito

Relato anônimo de uma das seguidoras da página – aviso para menções de estupro.


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Eu tinha 16 anos e havia mudado de escola no último ano do colegial, o primeiro grupo que me deu atenção foi um grupo de garotos que sentavam no fundo sala, me enturmei com todos e um em especial me chamou a atenção. Ele fazia desenhos e era muito engraçado, logo me encantei pelo seu jeito – ele me contou que havia acabado de descobrir que havia acabado de terminar com a sua namorada, então me compadeci como amiga para consola-lo.

Com o tempo, nos aproximamos e eu passei a frequentar a casa dele todos os dias – apesar de ter ficado com ele algumas vezes, ele sempre me respeitou quando estávamos sozinhos. Faziamos tudo juntos escola, cursos e passavamos muito tempo juntos, mas ele sempre deixou bem claro que ainda gostava da ex dele. Um dia eu e ele decidimos correr e na volta tomei banho na casa dele – qual foi a minha surpresa quando ele invadiu o banheiro e começou a me acariciar. Eu era totalmente virgem e aquela situação foi muito desconfortável, apesar de eu ser apaixonadinha por ele.

Fiquei realmente constrangida quando ele me convenceu a fazer sexo oral nele, fui pra casa sem saber se eu havia feito algo porque queria, ou porque fui induzida. Nossa “amizade” continuou e esse tipo de coisa acontecia corriqueiramente. De alguma forma ele me convencia que aquilo era normal, uma espécie de amizade colorida, mas sem beijo, sem abraço, sem respeito.

Eu decidi então que me afastaria dele porque toda aquela situação estava me deixando confusa – ele sempre se colocava na posição de vítima dizendo que a minha amizade era muito importante para ele, que como ele tinha perdido o pai aos 11 anos, encontrava em mim uma irmã, com a qual ele podia contar. Um dia quando abri minha rede social me deparei com uma série de ofensas mandadas por uma garota que ele estava ficando, dizendo tudo que tinha acontecido entre nós e me ridicularizando perante todos os meus amigos.

Fui até a casa dele tirar satisfação e me arrependi amargamente. O garoto me enrolou com o mesmo papo de sempre e disse que não sabia como ela sabia de tudo isso, quando eu quis ir embora ele não deixou e me forçou a acompanhá-lo até o quarto, chegando lá ele me estuprou pela parte anal do meu corpo, segurando meus braços e pernas. Quando terminou me disse que eu deveria tomar remédio, porque ele não queria ser pai agora, ainda mais de mim que nem era a namorada dele e ainda fez um discurso dizendo que não tirou de fato a minha “virgindade” porque ela deveria ser tirada por alguém especial.

Fui para casa me sentindo uma imunda, me afastei dele e da sua mãe, que gostava muito de mim, sem explicação nenhuma, guardei esse segredo por muito tempo, por vergonha e medo do que a minha familia pensaria até descobrir que ele me passou HPV. Ao fazer o tratamento tive que contar para minha mãe e minha irmã que me ajudaram a tomar os remédios. A minha mãe me julgou no início, e depois se sentiu culpada por ter me dado a liberdade de frequentar a casa de um garoto sozinha, mas ela me apoiou o tempo todo. Guardei esse segredo por mais de dois anos, por vergonha de ser julgada e culpada pelo o que aconteceu. Isso mudou a minha vida, encontrei o rapaz a pouco tempo com depressão, mas preferi me manter afastada apesar dos apelos da sua mãe.

Tive outros namorados, mas não me considero totalmente recuperada. Gostaria de dividir essa história com todas as garotas que se sentem culpadas por algo parecido que tenha acontecido – você nunca é culpada, nunca poderá ser culpada por ser inocente, por confiar, por se deixar acreditar. É claro que com o tempo aprendemos a nos defender de falsos amigos, mas o que eles nos levaram infelizmente nunca teremos de volta – devemos apenas aprender a valorizar o que permanece aqui.

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