Uma história

Segue depoimento anônimo de uma das seguidoras da página. Avisos para descrições de um relacionamento abusivo.


 

Vim contar uma pequena história vivida por mim.

Por quatro anos tive um mal relacionamento, começou no colégio, lá sofria bullying e perseguição, achei nele um amigo e uma companhia para afastar quem me fazia mal. No início foi um mar de rosas, me ajudou um pouco lá, mantive escondido mas logo meus pais descobriram e aceitaram.

Mas logo começou os problemas – ele gostava que eu fizesse tudo que ele gostava, ficasse sempre mais tempo com ele, era ciumento, além de muitas vezes me botar para baixo dizendo que eu não era tão bonita quanto uma colega ou não tinha um corpo tão perfeito.

Fui forçada de varias maneiras a agradar ele, sempre achando uma forma de me chantagear emocionalmente, até que aconteceu a minha primeira vez que foi dentro da própria escola, escondido errado, não gosto de lembrar, pois não foi nada agradável.

Depois disse passamos a nos encontrar fora da escola a tarde ia para casa dele, como a casa estava vazia era pretexto para sexo, nunca meus pais souberam, e se alguma vez eu dissesse não queria ele se irritava brigava comigo chorava muito, me humilhando muito – para ver ele de bom humor novamente, passei a fingir que gostava de fazer sexo com ele.

Contei a minha mãe que não era mais virgem na época com 17 anos, fui para o ginecologista, passei a tomar anti-concepcional para evitar gravidez, que graças a deus nunca aconteceu. Passou a ficar dentro de minha casa quando ele vinha, meus pais não queria que ficássemos juntos demais, nem nunca sozinhos, mas sempre havia algo para ele se irritar comigo, ficar de cara fechada, eu chorava muito. Foi uma época que pensei muito em suicídio, já pensava nisso faz tempo, mas piorou. Meu emocional era uma merda.

Meus pais sempre trataram ele bem, eu me formei no colégio, mas ele que nunca gostou de estudar tinha perdido no segundo ano, ficou mais um ano, dizendo que ia, mas nunca gostou de estudar e não podia tocar no assunto pois era motivo de mais brigas. Fiz um ano de cursinho e passei em uma universidade no curso que eu queria na minha cidade mesmo.

Os maus tratos continuaram e passaram a pioar por ele notava que eu estava “abrindo minhas asas” – não podia ter amigos, era só ele, e passou a implicar com minha família porque tinha que passar mais tempo com ele e nenhum com meus familiares – minha mãe me obrigava a ficar longe dele, eu agradecia em silêncio. Nessa época que começou as ameaças sérias. Dizia que só tinha a mim, se eu ficasse longe era a morte para ele, passou a ameaçar minha família e a mim, me agredia e me machucava várias vezes, como apertos, sacudidas e tapas, mas nunca deixava marcas. Alem de ameaçar matar minha família e me levar embora.

Ate que meus pais descobriram, lendo uma conversa minha que tinha ficado aberta, e disseram que era para terminar. Que estava sofrendo de “Complexo de Estocolmo” era uma pessoa sem vontade própria, passei a não me arrumar, odiava comprar roupas novas, só andava mal arrumada (como ele) porque ele não gostava, não tinha amigos, além da ameaça a minha vida e a de meus pais. Por isso terminei, só que aí começou os problemas.

Ele me perseguia, ia na universidade, no meus curso, na porta de casa, tinha medo de sair, tinha medo de ficar só. Nessa época que tive meu melhor amigo, um colega de curso que mantinha uma amizade sem nunca contar a meu ex-namorado, ele me ajudou muito, fazia companhia sempre, me acompanhando até o ônibus, algumas vezes ate me salvando de momentos tensos quando o ex me persegui ate o ônibus e me pegava no caminho, machucando meu pulso. Se não fosse por esse amigo acho que teria levado uma surra. Depois de um tempo ele sumiu.

Já faz muito tempo dos 4 anos de terror da minha vida, foi dos 16 anos 20 anos – agora já fiz 25  anos e ainda não me recuperei do que passei, ainda vivo um pouco para baixo, às vezes pior, às vezes melhor, ainda penso em suicídio. Como na maior parte desse tempo que passei com ele, nunca tive tratamento, nem nunca conversei com ninguém sobre isso, essa é  a primeira vez que escrevo cobre isso. Hoje minha vida sexual é quase nula, nunca mais tive ninguém, não consigo aceitar muita coisa, ainda tenho muito medo e qualquer coisa que me lembre aquela época me faz ter náusea, como agora, estou com as mãos tremendo, ainda tenho pesadelos que ele volte e me violente e me leve embora.

Mas consigo ser quase normal, sou quase feliz (quando meus medos não me assombram), vivo hoje como uma garota rosa patricinha e de bem com a vida, mas ainda não quero que ninguém saiba do meu passado. Queria apagar ele, mas sei que não é possível. Só estou contando aqui porque lendo tudo desse local vi que não era a única e que como muitos vezes eu pensei, não é besteira o que passei.

Obrigada pelo espaço.

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