11/09/2014 - Por Projetos

#Desafioartegorda: por que precisamos disso?

Dia 09/09/2014, lancei o #desafioartegorda no meu blog, Gorda&Sapatão. A ideia veio da falta de representatividade da mulher gorda nas ilustrações, desenhos, fotografias. Resolvi não esperar mais e publiquei a ideia daqui do trabalho mesmo. Deixei de lado as burocracias e fui atiçar as mentes brilhantes que eu nem conheço.

As pessoas sempre perguntam da onde eu tiro as fotos e ilustrações que são usadas nos meus textos, e a resposta é sempre a mesma: passo pelo menos 4 horas garimpando plataformas de compartilhamento de imagens na internet.

Acesso várias: Tumblr, Pinterest, DeviantArt, Flickr, WeheartIt, e outras. Procuro por hashtags sempre. Sigo páginas que já tem uma proposta voltada a divulgar somente o “fat art” (arte gorda), então, nesses espaços eu já sei que terão fotos interessantes. Mas mesmo assim não deixa de ser um trabalho difícil, como quem abre uma página qualquer e já se depara com uma bela produção fotográfica, onde as modelos são sempre magras.  Isso é o que está sempre ao alcance. É o que divulga-se massivamente. Pesquisar a palavra “gorda” ou “fat”, ou até mesmo “bbw” na internet é perigoso, porque vem uma enxurrada de violência simbólica. E por isso eu prezo tanto as imagens publicadas no meu blog, me coloco contra esse tipo de produção excludente e violenta a cada imagem selecionada.

Eu sei que existem pessoas produzindo arte e retratam corpos gordos. Elas existem, só não são amplamente divulgadas e conhecidas. Não raro, são frutos vindo de fora do Brasil. Temos poucas produções artísticas pautando o corpo gordo como excelência na arte, mas os trabalhos que já existe dão uma esperança de que essa arte se multiplica, como é o caso da NegaHamburguer que produz trabalhos empoderados e únicos.

 

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Arte da Negahamburguer representando Jéssica Ipólito <3 

 

O desafio consiste em chamar pessoas que produzem arte a retratar o corpo da mulher gorda. Essa foi a brecha que encontrei para provocar as pessoas a mostrarem o que fazem mas, em prol de uma luta contra a gordofobia e os padrões de beleza, que ainda são excludentes com as mulheres gordas.  O projeto que foi pouco elaborado antes de vir a público (meu jeitinho impulsivo), tem como proposta viabilizar as produções artísticas que exaltem o corpo gordo (Renascença is back, bitch!) uma vez que não podemos contar com uma mídia extremamente desgostosa e prioritariamente gordofóbica, propagadora de padrões surreais; portanto: SEJAMOS A MÍDIA!

Acredito no potencial explanador de cada pessoa que visita meu blog e se depara com uma outra proposta, totalmente diferente e atrevida. Por isso, ser a mídia também pressupõe desconstruir uma visão ortodoxa e quadrada de como ela se apresenta, suas regras e meandros.  Junto comigo nesse desafio, estão pessoas formadoras de opinião que, através da arte, o faz brilhantemente. Atingindo uma gama de pessoas e propagando um outro pensar sob os corpos gordos das mulheres.Essas pessoas que produzem arte tem nome, página no Facebook, sites; trabalham da arte ou não. Mas elas existem e estão mostrando a que vieram.

Esse desafio já alcança todo mundo: desde as pessoas que produzem só por hobby seus desenhos e ilustrações, até pessoas que lutam pra sobreviver de sua arte. É um aglutinado de pluralidades artísticas que teremos a oportunidade de conhecer, admirar, entrar em contato, repassar uma arte a diante. O objetivo principal está na arte como forma de empoderamento das mulheres gordas. Nós nãos nos vemos em nenhum lugar. Continuamos sendo apagadas até mesmo num segmento que promete reconhecer nossos corpos gordos mas que acaba por estabelecer outros padrões – meras reproduções daquilo que já é imposto- para os corpos gordos também. E aí fico me perguntando que coisa é essa de você empoderar mas estabelecer um limite aceitável do que é considerado belo no corpo gordo. Me rebelo frente a isso pois todos os corpos são templos de nossas vivências e devem ser respeitados e apreciados com tal importância que é dada aos corpos mais franzinos.

Por isso o #desafioartegorda veio como uma contestação daquilo que a arte hegemônica dissemina. São pessoas comuns, que entendem a necessidade de uma representatividade gorda genuína e não pré formatada. E assim, colaboram para um empoderamento que nos é negado todos os dias. Isso é um máximo! As pessoas sabem que representatividade importa e por isso aceitaram o desafio!

 

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Por André Persechini 

 

 

 

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Por Karina Beraldo

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Por Giovana Macedo

Acompanhe o #desafioartegorda pelo bloguinho e pela página no Facebook .

Participe do desafio! Aqui você pode saber como fazer: http://gordaesapatao.com.br/desafio-da-arte-gorda/

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