05/10/2017 - Por Projetos

Minas do Futebol

Documentário Minas do Futebol

Há algumas semanas atrás recebemos pelo nosso e-mail o documentário “Minas do Futebol”. Finalmente conseguimos assistir e por isso estamos aqui. Simplesmente não tem como deixar de compartilhar.

É um documentário de 50 minutos sobre as meninas do Sub 15 do time do Centro Olímpico de São Paulo. No ano passado elas venceram um campeonato que só tinha times masculinos e neste ano venceram o primeiro Campeonato Paulista Sub 17 (apesar de jogarem na categoria Sub 15).

O documentário é sobre um (entre os vários) times de futebol feminino que existem nas categorias de base do país, mas mostra barreiras que toda menina que quer jogar futebol no Brasil precisa superar.

Bom, para começar, ele joga na cara de todo mundo que uma menina pode jogar futebol tão bem quanto (ou melhor) um menino. Que a única diferença está no incentivo, na cultura. Como é mostrado no documentário, os garotos quando começam a andar, já são incentivados a jogar bola, a torcer para algum time, já são levados em estádio pelos pais. Já as meninas não tem incentivo algum e quando se aproximam por interesse próprio, anos mais tarde, são desmotivadas e desencorajadas.

E essa desmotivação surge de todos os lados, dentro de casa, nas arquibancadas, na escola, nos clubes de futebol, nas federações, na ausência de campeonatos femininos. É tudo muito difícil.

Quem acompanha o blog sabe que falamos há anos sobre o preconceito e o machismo. No Brasil, infelizmente, falar sobre o futebol feminino ainda é falar sobre preconceito e sobre machismo e é por isso que esse tema precisa ser mais discutido, mais visibilizado.

Se você fala para o seu filho que ele não pode perder um jogo de futebol para um time de meninas, se você faz de tudo para sua filha desistir de jogar bola, se você incentiva a prática do esporte (especialmente o futebol) somente para os meninos, se você acha que o campo não é lugar para menina, se você subestima uma garota quando ela diz que joga bola… Bom, você é machista. E infelizmente você está longe de ser a minoria.

É claro que algumas coisas mudaram nas últimas décadas, mas ainda é pouco. Muito pouco. Há menos de 40 anos atrás, era proibido por lei no Brasil a prática do futebol por mulheres (!!!). Hoje muitas meninas já praticam o esporte, já existem campeonatos de categoria de base e existem atletas incríveis para se ter como referência.

No ano passado, por exemplo, durante os Jogos Olímpicos do Rio, vi algumas coisas que confesso, me deixaram com uma pontada de esperança. Para quem não lembra, teve um período dos Jogos Olímpicos em que a seleção brasileira masculina de futebol estava em uma fase bem ruim, enquanto a seleção brasileira feminina estava em uma fase muito boa. Na internet choviam imagens de camisetas da seleção com o nome do Neymar riscado e embaixo o nome da Marta. Foi uma época que o futebol feminino no Brasil ganhou audiência como nunca antes.

Lembro que estava saindo de um jogo de vôlei no Maracanãzinho e do outro lado da rua, em um boteco de esquina, tinham várias pessoas reunidas em volta de uma TV, torcendo. Pensei que poderia ser qualquer esporte, mas fiquei realmente surpresa (e feliz) quando cheguei mais perto e vi que todos estavam acompanhando a semifinal do futebol feminino. Fiquei para ver o restante do jogo e ali não escutei NENHUM comentário machista, NINGUÉM falou coisas tipo “por isso mulher não deveria jogar futebol”, “por isso ninguém assiste futebol feminino”, muito pelo contrário, estava todo mundo torcendo (e muito) pelo sucesso daquelas mulheres. E vocês não imaginam a minha felicidade em fazer parte daquele momento, dali mesmo, de pé na calçada de um boteco em frente ao Maracanãzinho. Bom, a seleção feminina perdeu nos pênaltis naquele dia. Dias depois, a seleção masculina ressurgiu das cinzas e foi campeã.

O que aconteceu com a audiência do futebol feminino depois da Olimpíada? Quase nada. Ninguém mais falou sobre futebol feminino. Todos esqueceram o quanto torceram por aquela seleção e o quanto o futebol feminino pode ser tão bom quanto o masculino.

Então, só nos resta falar sobre o tema, escancarar essa desigualdade, visibilizar o assunto e fazer a nossa parte para que nas próximas quatro décadas já seja possível falar em igualdade entre o futebol feminino e masculino.

Para assistir o documentário, é só clicar aqui.

*Aqui tem um texto incrível da Marta contando sobre a sua carreira, sobre como era jogar bola quando criança e as dificuldades para chegar onde chegou. Vale muito a leitura!

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