03/09/2014 - Por Projetos

#StopTheBeautyMadness

Durante esta semana, fui desafiada algumas vezes por amigas a postar uma foto minha sem maquiagem. Esse tal “desafio” é um desdobramento mal-interpretado de uma campanha chamada Stop The Beauty Madness (Chega da loucura da beleza).

Antes de qualquer coisa, é preciso saber o que de fato é a campanha.

“Chega de padrões impossíveis. Chega da imagem ideal. Chega do sentimento de que ‘nada é suficiente’ quando o assunto é nossa própria beleza. Nós mulheres sabemos que estamos cansadas de competir, de comparar e de participar do jogo de ‘bonita/feia’. Estamos acordando da doida hipnose da beleza sob a qual estávamos.

Sejam bem-vindxs a um novo mundo, um que estamos criando aqui e agora. Neste mundo, nossa beleza é definida por qualidades nossas, não por medidas absurdas inventadas pela indústria. Nesse mundo, nós sabemos que somos mais que nossa aparência, nosso tamanho e nosso formato.” 

Captura de Tela 2014-09-03 às 18.33.03

Então você acha que o único relacionamento que você pode ter é com uma balança?

Com um manifesto de empoderamento da mulher pela autonomia de seu corpo e exaltação de sua beleza, em toda sua diversidade, a Stop The Beauty Madness convidou mulheres a disseminarem esse propósito, publicando fotos que quebrassem o padrão e a expectativa de perfeição que colocamos sobre nós mesmas. Assim nasceu o que hoje é o “Desafio Sem Make”.

Agora, por que essa campanha não devia ser chamada de ‘desafio’? Já começa ai o tom de “estou fazendo algo anormal, atípico, fora da regra”. E desde quando não usar maquiagem é algo anormal? Desde quando isso se tornou algo anormal? Desde quando sermos nós mesmas se tornou um desafio?

Porque eu vou falar pra vocês, desafio mesmo é ser bombardeada diariamente com um discurso de que minha aparência não está assim tão legal, que eu não estou assim tão bonita e que existe um monte de solução estética pra melhorar minha vida e me deixar mais feliz. Isso sim que é um baita de um desafio! Passar por essas pressões sem surtar.

Olha, vou dizer também que falhei muitas vezes nesse desafio. Que já me olhei no espelho e senti que algo estava fora do lugar, que algo poderia ser melhorado. Dai você vai lá e “melhora”, mas percebe que jamais vai se sentir plena, quando querem que você jamais pare de tentar.

Ainda assim, resolvi aderir à campanha e passar adiante o propósito de autoestima que me encantou em sua causa. No entanto, acabei percebendo que tirei diversas fotos, à procura de um ângulo que me “favorecesse” mais. Eu estava inconscientemente procurando por uma foto que amenizasse minhas marcas, minhas olheiras, meus traços indesejáveis. Logo, percebi que talvez estivesse procurando por uma foto que se parecesse menos comigo mesma.

E é assim que  lembro que não estamos habituadas a gostar de nossa aparência do jeito que ela é. Somos diariamente desafiadas a estarmos mais e mais enquadradas num padrão que deixou de ser apenas nada plausível e se tornou impossível. As imagens que nos vendem como ideais não representam a realidade de qualquer pessoa, inclusive daquelas que posaram para as imagens. Esse ideal é uma fraude e somos condicionadas a acreditar nele. A nos sentirmos um lixo porque temos espinhas, não somos simétricas ou não vestimos 34.

É sobre essa loucura que estamos falando: a loucura de odiarmos quem somos.

Deixo aqui um convite (não um desafio) para que você se olhe no espelho quando acabar de ler esse texto. Um convite para que se olhe e descubra naquele reflexo alguém de quem você deve se orgulhar. Com maquiagem. Sem maquiagem. Sendo apenas quem aquela imagem é e como ela reflete muito além de sua aparência. Enxergue sua essência naquele olhar e sua alma num leve sorriso. Se enxergue e se ame. Convido você a praticar esse exercício até que as dúvidas diminuam e sua confiança desabroche.

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