09/11/2015 - Por Referências

#LeiaMulheres: 15 livros escritos por mulheres para conhecer

Em 2014, a escritora Joanna Walsh propôs o projeto #readwomen2014 (#leiamulheres2014), que consistia basicamente em ler mais escritoras. Segundo o site do projeto, o mercado editorial ainda é muito restrito e as mulheres não possuem tanta visibilidade, por isso a importância desse projeto.

O Brasil Post trouxe alguns dados sobre essa realidade – aproximadamente 80% dos escritores convidados da Festa Literária de Paraty (Flip) deste ano eram homens, segundo o G1; e, dos atuais 40 membros da Academia Brasileira de Letras (ABL), apenas cinco são mulheres.

Existem algumas maneiras para tentar mudar essa situação – para as escritoras, escrever mais, para quem trabalha no universo da literatura, se esforçar para estimular mais mulheres a continuarem e entrarem nessa área. Mas existe algo que todas as pessoas podem fazer, independente de estarem ou não no mercado de literatura – ler mais mulheres e dar ao seu trabalho o mérito que ele merece.

Essa lista de livros é originalmente do Brasil Post, mas modifiquei um pouco, acrescentando alguns livros (e retirando alguns, já que preferi focar em livros sobre mulheres). Confira a lista original aqui.

 

‘Americanah’, de Chimamanda Ngozi Adichie

A Chimamanda ganhou mais fama na internet depois que a Beyonce usou parte do seu discurso em uma das músicas, e eu realmente recomendo pesquisar o nome dela e ver os TED Talks, porque são realmente incríveis.

Sinopse: Nigéria, anos 1990. O país está sob o comando de um governo militar. A jovem Ifemelu decide deixar sua terra natal para partir aos Estados Unidos, a fim de estudar. Lá, ela vive dificuldades decorrentes de preconceitos por ser mulher, negra e imigrante, mas isso não vai impedi-la de se realizar. Quinze anos depois, ela volta à Nigéria e encontra seu país diferente. Um amor da adolescência também já não é mais o mesmo.

Preço: R$37,30

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‘Livre’, de Cheryl Strayed

Esse livro acabou de virar filme, com a Reese Whiterspoon, e eu gosto da proposta porque não é algo que vemos muito com protagonistas femininas – homens estão sempre saindo em aventuras, sem destino ou rumo, mas mulheres geralmente não se permitem tal liberdade (o NAQ já escreveu sobre isso antes, se quiser ler, aqui)

Sinopse: Aos 20 e poucos anos, a escritora Cheryl Strayed havia perdido tudo. Sua mãe, com quem tinha forte ligação, morreu precoce e inesperadamente em decorrência de um câncer. Após isso, a família se desintegrou. O casamento de Cheryl também foi buraco abaixo. Ela começou a usar heroína, largou a faculdade e chegou ao fundo do poço. Independente e disposta a enfrentar seus demônios, ela parte sozinha em uma trilha que cruza os Estados Unidos de ponta a ponta, a fim de entrar em contato consigo mesma e repensar sua vida.

Preço: R$31,90

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‘A Garota da Banda’, de Kim Gordon

Eu gosto muito de livros baseado em histórias reais, e esse tem a vantagem de ser uma autobiografia, então podemos confiar que a vida de Kim Gordon não foi distorcida como muitas vezes vemos homens distorcer histórias de mulheres.

Sinopse: Ícone do rock independente e experimental, Kim Gordon relata nesta autobiografia o término de seu casamento com Thurston Moore, parceiro também na legendária banda Sonic Youth. Além disso, ela narra com crueza e lirismo diversos momentos de sua vida: a infância com os pais distantes e o irmão esquizofrênico, o feminismo, a arte e a maternidade, tendo como ponto de partida o último show do Sonic Youth, em 2011, na cidade brasileira de Itu (SP).

Preço: R$34,50 ou 22,50 (digital).

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‘O Primeiro Homem Mau’, de Miranda July

Não conhecia o livro, mas me chamou a atenção pela história – a princípio, a história comum de “jovem menina vem e muda a vida do protagonista” está mais do que batida, mas o livro traz originalidade com o fato de que ambas as personagens são mulheres. Mulheres heterossexuais tendem a dominar a literatura, então vale conferir livros que escapam desse clichê.

Sinopse: Cheryl é uma mulher reclusa que tem seu mundo particular virado de cabeça para baixo quando a jovem Clee, filha do colega de trabalho pelo qual Cheryl tem uma obsessão, se hospeda em sua casa. Com bastante bom humor, Miranda July narra o desabrochar da protagonista para uma nova vida – ela se apaixona por Clee.

Preço: R$35,90 ou 29,90 (digital)

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‘Holocausto Brasileiro’, de Daniela Arbex

Esse não é para qualquer um, nem para qualquer dia. A história é pesada e relata fatos reais, e serve para lembrar que histórias terríveis, como o Holocausto, não estão distantes da nossa realidade brasileira.

Sinopse: Daniela Arbex, jornalista da Tribuna de Minas, resgata a memória e a identidade das 60 mil pessoas mortas no hospício Colônia, na cidade de Barbacena (MG), que funcionou durante a maior parte do século 20. Aproximadamente 70% dos internados não tinham doença mental alguma – eram homossexuais, mulheres vítimas de estupro e alcoólatras, entre outras pessoas de diversas origens e realidades. Sob tutela do Estado brasileiro, elas foram perversamente desumanizadas. Enquanto o manicômio lucrava com a morte, diversos desrespeitos aos direitos humanos aconteceram ali.

Preço: R$31,90 ou R$14,93 (digital)

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‘Você É Minha Mãe?’, de Alison Bechdel

O nome da autora é familiar porque ela tem um famoso teste com o seu nome (1. Nesse filme, tem mais de uma mulher com nome? 2. Elas conversam entre si? 3. Sobre algo que não é um homem?). A autora, assumidamente lésbica, fala sobre a família nesse livro, um tópico sempre complexo e rico.

Sinopse: Neste quadrinho autobiográfico, Alison Bechdel se abre para contar sua complicada relação com a mãe, uma atriz frustrada no casamento. A autora tenta desvendar, ao resgatar o passado, o que acontecerá com as duas no futuro.

Preço: R$47,50

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‘Do que É Feita uma Garota’, de Caitlin Moran

Para sairmos um pouco das biografias, segue uma história de ficção – embora se passe na Inglaterra no início dos anos 1990, as dificuldades e desejos da protagonista são coisas que toda mulher pode entender.

Sinopse: Em seu primeiro livro de ficção, a jornalista inglesa Caitlin Moran usa tom feminista e humor negro para narrar a trajetória de Johanna, uma garota gorda e tagarela de 14 anos que mora no meio do nada e decide tornar-se jornalista musical para livrar a família da pobreza e se tornar alguém importante. Mas é claro que Johanna se meterá em enrascadas, afinal, precisa crescer antes de se tornar a adulta que tanto quer ser.

Preço: R$26,90

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‘Memórias de uma Beatnik’, de Diane di Prima

Eu tenho uma confissão: eu tenho um sério problema com ‘clássicos’ e On the Road, do Jack Kerouac, embora amado pelos meus colegas de faculdade, nunca me agradou muito. A ideia de sair com seus amigos, num universo de drogas, sexo e poesia, é tão masculina que eu nunca consegui ler o livro direito, sabendo que uma viagem não seria possível se o protagonista fosse mulher. Tudo isso para dizer que ‘Memórias de uma Beatnik’ me chamou atenção por dar um ponto de vista feminino a essa época, tão masculina, da literatura.

Sinopse: Diane di Prima, em texto ágil e envolvente, escancara seu ingresso no movimento literário Geração Beat, majoritariamente composto por homens, como Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William S. Burroughs. Ambientado na década de 1950, di Prima não economiza no sexo, na arte e na rebeldia durante seu crescimento.

Preço: R$29,90

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‘Por um Sentido na Vida’, de Amy Purdy

Dar voz à mulheres só vale se dermos voz a todas as mulheres e não somente para aquelas que seguem o padrão da sociedade. Esse livro, também autobiográfico fala de como enfrentar e superar deficiências físicas.

Sinopse: A atleta paraolímpica de snowboard, tricampeã, Amy Purdy perdeu as duas pernas quando tinha 19 anos, em decorrência de uma doença. Em Por um Sentido na Vida, ela se expõe com franqueza para dizer como superou isso.

Preço: R$25,50 ou 14,90 (digital).

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‘A Mão Esquerda da Escuridão’, de Ursula K. Le Guin

Esse livro eu ainda não li, mas acabei de comprar – embora o protagonista seja um bom, é um dos meus gêneros favoritos (ficção-científica), que é dolorosamente masculino, então acho que valeu a entrada na lista.

Sinopse: Precursor na ficção científica feminista, A Mão Esquerda da Escuridão mostra Genly, emissário da federação galáctica Ekumen, em uma missão política: fazer o planeta Gethen entrar em um grupo de planetas para fazer trocas comerciais e culturais. Um dos aspectos mais marcantes do romance é a população andrógina e de gênero fluido de Gethen, que faz o protagonista repensar seus costumes e visão de mundo.

Preço: R$31,90

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‘Eu Sou Malala’, de Malala Yousafzai e Christina Lamb

Esse é clássico e dispensa muita introdução, mas acho que vale bastante a leitura por ser um relato biográfico de algo que ainda está se desenrolando atualmente, e não apenas lembranças de um passado distante.

Sinopse: Hoje um dos principais ícones da luta pela educação feminina, a paquistanesa Malala Yousafzai narra nesse livro – escrito com a jornalista Christina Lamb – a história de sua família vivendo em meio ao terrorismo. E, tão importante quanto, ela apresenta o ponto de vista feminino direto de uma sociedade em que mulheres são menos valorizadas que filhos homens.

Preço: R$20,60

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‘A Vítima Perfeita’, de Sophie Hannah

O assunto é díficil, sempre, mas achei que a lista realmente precisava de um trama um pouco mais sombrio.

Sinopse: O desaparecimento do amante de Naomi a faz entrar em um mundo em que segredos e obsessões andam de mãos dadas. A violência sexual contra mulheres também é abordada nesta trama sombria de Sophie Hannah.

Preço: R$25,90 ou 24,22 (digital).

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‘Três Vidas’, de Gertrude Stein

Nesse sinto, a autora conta três histórias paralelas em três capítulos diferentes. Cada uma, uma mulher. Já me descreveram o livro como uma “beleza triste”.

Sinopse: Personalidade no modernismo e amiga de ícones como Picasso, Ernest Hemingway e Scott Fitzgerald, Gertrude Stein lançou ‘Três Vidas’ em 1909. Esse seu primeiro livro, composto por três novelas que contam as histórias de Anna, Melanctha e Lena, traz as marcas da escrita de Stein, como a linguagem coloquial, as listas de adjetivos e a repetição de trechos ao longo da narrativa.

Preço: R$68,00

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‘Persépolis’, de Marjane Satrapi

Sim, teve filme, mas não é a mesma coisa. Mais uma vez dando voz a mulheres que geralmente não tem muito espaço na nossa cultura, esse livro ajuda a desconstruir a imagem que geralmente temos das mulheres islâmicas e do Irã.

Sinopse: Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita — apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos.

Preço: R$39,90

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‘Ariel’, de Sylvia Plath

Vamos terminar a lista com poesia, da maravilhosa Sylvia Plath. Poesia realmente não é para todo mundo, mas eu sempre gostei, e acho que, para falar da vida como ela é, em toda a sua complexidade, não existe linguagem melhor do que a poesia.

Sinopse: Esta edição bilíngüe e fac-similar restabelece pela primeira vez a seleção e o arranjo dos poemas exatamente como Sylvia Plath os deixou antes de se suicidar. Além da reprodução dos manuscritos da autora, este livro também inclui os rascunhos completos do poema-título, “Ariel”, oferecendo ao leitor a oportunidade de acompanhar o processo criativo da poeta. Com esta publicação, o legado de Sylvia Plath será reavaliado à luz de seu trabalho original e permanecerá conforme sua vontade.

Preço: R$42,00 ou R$31,22 (digital)

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Você tem mais sugestões de livros (ou filmes, ou histórias em quadrinhos, ou sites…)? Mande pra gente! ^^

 

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