16/12/2015 - Por Referências

Olmo e a Gaivota

Alguns dias atrás postamos no Instagram os convites que recebemos para assistir o novo filme da diretora Petra Costa, co-dirigido pela dinamarquesa Lea Glob, Olmo e a Gaivota. Ontem fomos ao cinema conferir.

O filme une a ficção e a realidade, onde o casal de atores Olivia Corsini e Serge Nicolai representam a si mesmos durante a gestação de Olivia. Olmo e a Gaivota ganhou o prêmio de melhor documentário no 17º Festival do Rio de Janeiro e também foi premiado no 68º Festival de Locarno.

O filme traz uma discussão muito importante que é a desmitificação da gestação como algo maravilhoso e único, quase sagrado, mostrando todos os conflitos reais vividos durante esse período desde a impossibilidade de continuar trabalhando devido a uma gravidez de risco e o desejo do sucesso profissional até a sensação de solidão, insegurança e a falta de liberdade.

Podemos ver a gravidez de uma maneira muito íntima e sensível. Por tratar-se de um casal real e de uma gravidez real, em alguns momentos somos surpreendidos e o que é encenação ou realidade fica um pouco difuso, o que torna a narrativa brilhante.

O filme nos mostra que a gravidez precisa ser tratada com realidade e maturidade. Se em uma gravidez planejada, a mulher atravessa uma jornada psicológica de altos e baixos em relação a sua escolha e ao seu futuro, imagine quando a gravidez é acidental.

Afirmações de que a gravidez é mágica, perfeita e que a mulher se sente completa nesse período ou coisas do tipo, chegam a ser até um pouco infantil quando nos damos conta do que realmente passa pela cabeça de uma mulher durante a gestação.

Apesar do filme não abordar diretamente esse tema, a discussão é válida também para as mulheres que escolheram não engravidar e por isso são tão criticadas e cobradas pela sociedade, como se você só fosse uma mulher legítima ao ser mãe.

Conheço mulheres que adoraram suas gestações e lembram com saudade desse período, mas também conheço aquelas que não gostam nem de pensar na possibilidade de passar por essa experiência de novo.

Gerar um outro ser humano dentro de você, que utiliza tudo que você tem no seu corpo para crescer e se desenvolver com certeza não é nada fácil. Tudo muda e mudanças são muitas vezes, assustadoras.

Uma das cenas do filme que eu mais gostei e me identifiquei (apesar de nunca ter engravidado) é quando Olivia discute com Serge sobre como ela está se sentindo sozinha fazendo uma coisa que é de interesse dos dois (gerar um filho). Acho que essa cena deve ter sido um “tapa na cara” para muitos homens que não se dão conta de que o fato da mulher carregar um bebê na barriga, não significa que a gravidez é só dela. Muito pelo contrário, a gravidez é do casal que escolheu (ou não) engravidar e por isso as responsabilidades, medos e inseguranças devem ser compartilhados.

Para concluir, amei o filme. Já era fã da Petra Costa com o filme “Elena” de 2012 (quando tive a oportunidade de assistir uma palestra dela sobre o longa), mas adorei todas as discussões que o Olmo e a Gaivota aborda. Parabéns, Petra Costa e Lea Glob!

 

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