Olympe de Gouges

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“Nossa luta está longe de acabar: excluíram a mulher de todo poder, de todo saber. Felizmente, ainda não tiveram a ideia de nos retirar o direito de escrever”.

Olympe de Gouges é o pseudônimo de Marie Gouze, nascida em 7 de maio de 1748, em Mountauban, comuna francesa, mulher feminista, revolucionária, historiadora jornalista, escritora e autora de peças de teatro. A graphic novel, de mesmo nome, foi baseada em sua vida – desde o caso de sua mãe de um marquês (supostamente, o verdadeiro pai de Olympe) até o fim da sua vida.

Acima de tudo, a graphic novel conta a história de uma mulher que busca trilhar seu próprio caminho, e que, nessa jornada, se torna uma apaixonada advogada dos direitos humanos. A história se inicia em uma era pré Revolução Francesa – para os amantes de história, é fascinante ver como o ambiente político do país interfere na vida diaria da protagonista –  terminando alguns anos após a revolução.

Embora as pautas de Olympe estejam inevitavelmente ligadas a questões da época – casamentos arranjados, impossibilidade de divórcio, as restrições para mulheres solteiras ou viúvas – a obra se mantém atual, na medida que, no final do dia, é uma história sobre uma mulher tentando balancear as expectativas da sociedade e os próprios desejos.

Pessoalmente, foi fascinante para mim ver como Olympe assumia diversos papéis – filha, mãe, amante – e como todos ficam de certa maneira, secundários a sua verdadeira paixão, a literatura. Acima de tudo, Olympe acredita no poder transformador da palavra e acredita que pode modificar o mundo a sua volta com ela.

Desde a libertação dos escravos até os direitos civis iguais entre homens e mulheres, Olympe escreveu livremente, se envolvendo ativamente em tudo que lhe parecia injusto – por conta disso, acabou sendo perseguida e repreendida inúmeras vezes, mas se recusou a calar-se.

É importante notar, porém, que Olympe participa de uma elite e seu envolvimento em algumas questões sociais acaba sendo superficial – embora sua peça anti-escravista tenha sido ousada para a época, o envolvimento da jovem nessa questão restringi-se a essa – não há, por exemplo, um esforço para que as pessoas ao seu redor libertem seus próprios escravos. De maneira similar, quando encontra mulheres pobres clamando por comida, apaixona-se com a revolução que vê acontecendo na sua frente – mas não compreende realmente o que é passar fome e isso jamais se torna uma das questões sobre as quais discursa.

No que se refere as ilustrações, são muito bonitas e bem-feitas – e ilustradas por uma mulher! – mas há uma falta de corte entre cenas que dificulta a compreensão – às vezes há uma mudança completa de cenário que passa despercebida. Além disso, o estilo destinado a pessoas negras é destoante do das pessoas brancas, o que faz com que elas pareçam, pelos leitores, distorcidas.

Bem, mesmo com todas as suas falhas, terminei o livro curiosa para saber um pouco mais sobre Olympe e sua trajetória na vida real – que eu completamente desconhecia -, o que imagino era o objetivo final!


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