05/11/2014 - Por Reflexões

17 mentiras sobre sexo que contam para meninas (parte 1)

Esse texto é uma tradução do texto de Julianne Ross! Você pode conferir o original, em inglês, neste link: http://mic.com/articles/88029/17-lies-we-need-to-stop-teaching-girls-about-sex?utm_source=policymicTBLR&utm_medium=main&utm_campaign=social


Seja o constante pânico sobre a influência de Miley Cyrus sobre jovens meninas ou a crescente (e perturbadora) tradição de Bailes de Pureza, fica óbvio que a sociedade tem uma fascinação com a sexualidade das mulheres – principalmente no que se refere ao seu controle sobre ela. Mas o que estamos realmente ensinando jovens garotas sobre sexo?

Alimentados pelos papéis de gênero conservadores e a ideia de que a sexualidade feminina é vergonhosa, ainda existem alguns mitos sobre meninas e sexo que se recusam a morrer. Nos Estados Unidos, a educação sobre sexo tem buracos enormes que não ajudam na situação [fica como nota da Equipe NAQ que no Brasil a coisa deve ser ainda mais séria, porque muitas escolas nem tem ensino sobre sexo]. Um estudo do Centro de Controle de Doenças mostrou que só 6 de 10 garotas diziam que o ensino sexual de suas escolas falavam sobre como dizer não para o sexo. Essa falta de protagonismo feminino fica claro no estudo da socióloga Heather Hlavka, que mostrou que muitas jovens pensam em sexo simplesmente como algo que é “feito com elas”.

Conhecimento é poder, e nós podemos promover relações com sexo muito mais saudáveis ao encorajar dialógos abertos, ensinando meninas a se sentirem confortáveis com sua sexualidade e, mais importante que isso, enfatizando que seus corpos são seus e só seus. Mas antes, nós precisamos parar de perpetuar os seguintes mitos sobre sexualidade feminina:

1. Virgindade existe.

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Existe um documentário americano de 2013, chamado Como perder sua virgindade, que coloca a aparentemente simples questão: o que é ser uma virgem? A resposta é na verdade bem complexa. A ideia comum é de que a virgindidade faz parte de uma visão de sexo hetero-normatica, focada no homem – ou seja, penetração pênis-vagina. Mas essa definição ignora casais LGBT, sexo oral, sexo anal, momentos em que “não foi até o fim”, estupro e intimidade emocional.

Essa obsessão cultural com virgindade é muito mais sobre manter meninas “puras” do que qualquer outra coisa, e, uma vez que o termo começa a se despedaçar assim que começamos a inspecioná-lo, ele não tem muita força. Não existe um conceito universal de virgindade, e as pessoas deveriam ser livres para definir momentos especiais de intimidade por elas mesmas.

 

2. Hímens são um sinal de virgindade. 

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Considerando que toda a noção de virgindade é, na melhor hipótese, duvidosa, não é surpreendente que não existe um jeito médico de dizer se alguém é virgem ou não. Isso inclui um hímen rompido. Hímens geralmente ficam mais soltos com a adolescência, e podem ser rompidos por várias coisas, desde andar de cavalo até jogar esportes. Algumas mulheres nascem até sem hímen.

Apesar do fato de que mais da metade das mulheres não sangram na primeira vez que tem sexo penetrativo, sangue nos lençóis continua sendo uma prova da perda da virgindade. A persistência da existência desse mito, que cerca um parte anatomicamente irrelevante das mulheres, criou um mercado de hímens artificiais e cirurgias para “restaurar a virgindade”. Mais perturbador que isso, garotas ao redor do mundo são, muitas vezes, forçadas a fazer testes de virgindade humilhantes e evasivos para provar sua “pureza”.

 

3. Todas as mulheres nascem com vaginas.

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Alguns itens dessa lista focam na anatomia daqueles chamados de mulheres no nascimento em um esforço para iluminar problemas sobre os quais muitas mulheres não podem conversar normalmente, mas o objetivo não é ser excludente. A identidade de gênero é diferente do sexo biológico, e mulheres trans são mulheres, ponto final.

 

4. A primeira vez vai doer – e muito. 

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A maior parte da dor que jovens experimentam no seu primeiro encontro sexual vem da tensão dos seus músculos por conta do nervosismo. O sangue da primeira vez geralmente vem de um rasgo no tecido vaginal por conta da falta de lubrificação e, aham, sexo inexperiente – não porque o hímen rompeu. É uma profecia que se auto-realiza; talvez se a gente parar de falar para meninas para ficarem aterrorizadas com a primeira vez, as coisas seriam mais confortáveis para todo mundo.

 

5. Se alguém comprar algo para você, você deve sexo para essa pessoa. 

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Não interessa se é uma bebida ou uma colar de diamantes: você não deve sexo a ninguém. Nunca.

 

6. Sexo demais vai te deixar “larga”.

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Nada como essa história para assustar mulheres de praticar promiscuidade segura e concensual. A verdade é mulheres tem tamanhos diferentes, assim como os homens. A vagina é como um elástico, e a não ser que você tenha transado regularmente com um extintor de incêndio, você vai ficar bem.

Na mesma linha, um bebê não vai “arruinar” a sua vagina. Muitas mulheres contam que se sentiram diferentes lá embaixo depois do parto (o processo de cura pós-bebê dependente de uma variedade de fatores, como idade, o tamanho da criança, etc), mas nós deveríamos estar ensinando meninas a aceitar esas diferenças de forma normal e natural – não como novas falhas.

 

7. Mulheres não pensam muito sobre sexo.

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Vários sexólogos chegaram a mesma conclusão: mulheres querem sexo tanto quanto homens. Isso também não é uma nova moda – a ciência só está aprendendo a fazer as perguntas certas sobre o desejo feminino.

Então porque o mito da mulher celibata permanece? Certamente não ajuda o fato de que mulheres são ensinadas que pensar são sobre o sexo é coisa de menino ou juvenil. A mídia de entretenimento também gosta de mostrar as mulheres como a parte responsável do relacionamento (exemplo: esposa chata, marido crianção).

O outro lado desse mito é a ideia de que homens “de verdade” tem um apetite sexual enorme. Mas o ditado de que “homens pensam em sexo a cada 7 segundos” não é verdade. O foco da sociedade na líbido masculina criou uma caricatura da sexualidade dos homens, uma que trata a falta de desejo ocasional ou demonstrações de emoção como coisas não-masculinas. E isso também não é justo com eles.

 

8. Mulheres não gostam de sexo casual. 

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Não só as mulheres querem sexo, mas como o jornalista Daniel Bergner aponta no seu livro O que as Mulheres Querem? Aventuras na Ciência do Desejo Femininoesse desejo não é “na maior parte das vezes movido ou sustentado pela intimidade emocional e segurança”. Isso significa que, contrariando o senso comum, mulheres podem sim fazer sexo sem a parte emocional. Estudos sobre desejo sexual mostraram que várias mulheres querem sexo casual, e que muitos homens querem menos do que se imagina.

Muito do desejo parece ser socialmente construído, de qualquer maneira: diferenças de desejo dos gêneros tem diminuído com gerações mais progressivas, em países com mais igualdade na distribuição de poder, e quando o estigma de ser considerada uma vadia é menor.

Moral da história? É uma preferência pessoal, e generalizações não estão ajudando ninguém.

 


Confira a parte 2 desse texto aqui!

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