22/07/2015 - Por Reflexões

4 maneiras que o sexismo afeta a saúde das mulheres

Esse texto é uma tradução e uma adaptação do texto How Sexism Affects Women’s Health Every Day do site Role Reboot. Você pode ler o texto completo, em inglês, aqui. Embora os números e pesquisas mencionados se refiram geralmente a uma realidade norte-americana, acreditamos que as conclusões gerais do artigo são realidade para mulheres em vários países do mundo, incluindo no Brasil.


Ao redor do mundo, mulheres, por uma variedade de motivos, experimentam muito mais dor do que homens. Mais de 100 milhões de americanos dizem viver com dor crônica, e a grande maioria desses são mulheres. Mesmo assim, médicos tendem a não levar a sério quando mulheres dizem que estão com cor. Médicos de ambos os gêneros mostram esse tipo de tratamento diferenciado, que pode ser dividido em quatro questões.

 

1. Pessoas tem dificuldade em reconhecer quando uma mulher está com dor. Não de um jeito abstrato, mas de maneira prática, literalmente “Essa expressão na cara dele significa que ela está dor?”.

As pessoas tendem a perceber instintivamente quando um homem tem uma expressão de dor, o que não acontece quando é uma mulher. Também se percebe esse comportamento quando uma pessoa branca está sentindo dor versus uma pessoa negra sentindo dor.

 

2. Preconceitos de gêneros e estereótipos interferem na maneira como médicos tratam a dor de uma mulher. 

Uma pesquisa de 2014 com mais de 2.000 mulheres, realizado pelo Relatório Nacional de Dor e a ONG destinada a encontrar soluções para mulheres com dor For Grace, descobriu que 3/4 das mulheres entrevistadas ouviram de um médico que nada podia ser feito por elas, e que elas teriam que viver com a dor crônica.

– 57% das mulheres contam que um médico disse a elas, “Eu não sei o que está errado com você”.
– 51% disseram que o médico disse “Você está com uma aparência boa, então você deve estar se sentindo melhor”.
– 45% contam que lhes disseram “A dor está na sua cabeça”.

Meus favoritos? “Você é bonita demais para ter tanto problemas” e “Você não pode estar muito doente porque você está usando maquiagem e não está com calça de moletom”.

 

3. Homens e mulheres experimentam dor de maneira diferente, mas mulheres relatam sentir dor mais intensa. Porém, quando homens dizem estar com dor, são tratados mais seriamente. 

Por exemplo, é mais provável que um médico dê remédios para dor para homens, mas sedativos genéricos para mulheres. Um estudo mostrou que homens tem mais chances de serem enviados para unidades de tratamento intensivo. Em um relatório extenso sobre dor, Judy Foreman dividiu uma pesquisa mostrando  que mulheres tem menos chances de ter próteses de joelho ou quadril, e que médicos tendem a não considerar que mulheres tem problemas no coração, mesmo quando elas tem os sistemas. Mulheres também não tendem a procurar tratamento para dor crônica, e tem maiores chances de serem tratados de maneira inadequada por profissionais da saúde.

 

4. Apesar do fato de homens terem maiores taxas reconhecidas de traumas que levam ao transtorno de estresse pós-traumático, é duas vezes mais provável que mulheres tenham desordens de ansiedade e fatiga constante do que homens.  

As altas taxas de sintomas de transtorno de estresse pós-traumático têm confundido médicos, que tendem a dizer que são simplesmente efeitos do estresse das mulheres ou culpa do excesso de emotividade. Porém, pesquisadores documentaram a ligação entre preocupações com sua segurança física com efeitos psicológicos. Considere, por exemplo que, antes da puberdade, homens e mulheres tem taxas de depressão e ansiedade similares, mas, depois da puberdade, quando assédio, estupro e a percepção de vulnerabilidade física aumentam, é seis vezes mais provável que garotas sintam ansiedade do que garotos adolescentes.

Pesquisadores concluíram, finalmente, que mulheres tem grandes probabilidades de terem uma série de problemas físicos por conta dos efeitos acumulados de auto-vigilância, objetificação sexual e assédio. Recentemente, cientistas do departamento de psicologia da Universidade de Mary Washigton mostraramm os efeitos do assédio sexual em mulheres, que são ainda mais fortes em mulheres que já sofreram abuso sexual. Eles concluíram que as mulheres estão experimentam um “trauma capcioso”, algo que a maior parte dos médicos desconhece.

 

Finalmente, pesquisas médicas continuam a não considerar problemas específicos de gênero, assumindo erroneamente que homens (geralmente homens brancos), como objetivos de estudo, são o suficiente para representar toda a humanidade. Esse modo discriminatório de pesquisa, que favorece o homem, tem um impacto considerável na saúde das mulheres, incluindo, como vimos aqui, a percepção da dor e como aliviá-la.


							
							

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