18/05/2014 - Por Reflexões

7 vidas

Já dizia o ditado chinês “anda como um gato, mia como um gato, só pode ser um gato”.

Demorei muito tempo pra entender o que aconteceu exatamente. Mesmo depois que a poeira abaixou, eu tive que olhar para trás várias vezes pra perceber que eu não era mais a mesma pessoa de 5 anos atrás. Eu achei que você fosse a única e por isso ninguém mais fosse me fazer sentir como você fez. Demorei pra admitir pra mim mesma que aquilo era quem eu era e não que eu era uma consequência do que nós fomos.

Você se esgueirou devagarinho, como quem não quer nada, ronronando ao meu redor. Quando eu percebi, você já tinha me arranhando fundo o suficiente pra deixar uma cicatriz.

Eu achei que fosse normal. Que gostar de você era uma coisa óbvia e incontestável. Mas eu tive medo de falar pra todo mundo. Levei meses para contar pros meus amigos sem que eu tivesse vergonha, sem que eu tivesse medo das reações deles. Você bateu o pé no chão dizendo que éramos amigas, e meu coração batia sabendo que eu queria mais do que aquilo.

Até hoje não entendo o seu medo. “Anda como um gato, mia como um gato”, mas você não era gato. Você fugia deles, mas corria para os meus braços quando a noite caia. Você me beijou escondida por dois anos e meio.

E eu cansei de fingir que não era gato. Cansei de me olhar no espelho e não saber se eu podia ser alguém sem você na minha vida. Hoje eu sei que eu posso. Hoje eu dou a cara pra bater e choro. Chorei porque dói ter coragem de ser você mesma. Ainda bem que gato tem 7 vidas.

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