11/08/2016 - Por Reflexões

-A poesia da luta.

Eu vejo em mim,

Negra.

Com todo poder da palavra:

Preta.

A que sofreu

Que brigou

Que morreu

Que apanhou

Apanhou no colo o filho pra proteger

Apanhou nas costas do chicote pra punir

Apanhou no corpo o trauma do estupro

Eu vejo em mim,

Trans.

A que se prostitui

Que morre, se mata

Que aguenta ignorância

O afastamento

Que sofre medo e terror.

Eu vejo em mim,

Gorda

Que não está no padrão de beleza

Que não tem seu lugar na moda

Aquela para quem não tem roupa nas lojas.

Aquela que tem vergonha de usar roupa curta.

Eu vejo em mim

mulher.

Mulher que sofre,

Que teme

Mulher que serve,

Que lava

Passa

Cuida da casa.

Aquela que nasceu para servir,

Que tem no peito a marca da culpa

Que dentro da igreja não fala,

só escuta.

Que anda com medo na rua

Mas eu vejo em nós,

todas nós

A poesia da luta,

Criando um futuro de liberdade

Regado a força, determinação

Com um toque de libertação

E é nessa luta contínua

Cheia de medo e raiva através da história

Que nasce no peito da mulher brasileira,

Um sorriso de paz, coragem e vitória.

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