15/06/2014 - Por Reflexões

Copa do machismo

Enquanto estava realizando seu trabalho, em transmissão ao vivo, a repórter Sabina Simonato foi beijada por um torcedor croata anônimo, na calçada da Avenida Paulista. Reparem que a questão aqui não é um beijo de um desconhecido. É um beijo de um desconhecido num contexto específico. Claramente não solicitado, claramente não consensual. O torcedor croata, ao tascar o beijo na repórter, coloca-a em sua posição de mulher – um corpo disponível. É assim que nos sentimos nas ruas, pontos de ônibus, estações de metrô, e até mesmo em festas e bares quando homens aleatórios se acham no direito de interferirem em nosso espaço físico e psicológico. Sabina Simonato não pediu nem concordou com esse beijo, não importa o quão leve tenha nos parecido sua reação.

Quando dizemos que o feminismo ainda é necessário, é por causa de atitudes desse tipo. Alguém já viu algum jornalista homem sofrer assédio sexual assim, ao vivo? Na frequência com que isso acontece com as jornalistas mulheres (só no último ano me lembro de pelo menos dois ou três casos de grande repercussão aqui no Brasil)? O assédio é uma questão de poder, de lembrar às mulheres que somos “apenas” mulheres. Por isso ele é humilhante, indigno, violento – ainda que venha na forma de um beijo com risadinhas.

Veja o link do vídeo aqui.

Até quando o Brasil venderá sua imagem por meio de suas mulheres? Até quando seremos desrespeitadas nas ruas por sermos mulheres?

Fonte do texto: Marília Moschkovich – Outras palavras

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