15/08/2014 - Por Reflexões

Espectadores mandam mais nos corpos femininos que as próprias mulheres

Ainda hoje, muitos se opõem à mulheres sem a parte de cima em público, interpretando a exibição do peito feminino como de natureza sexual e, por isso, indecente. Em contraste, o peito masculino geralmente não é considerado sexual.

Pessoas dizem que o seio/mamilo feminino é uma zona erógena. Será? Zonas erógenas são determinadas partes do corpo onde o toque pode causar excitação sexual na pessoa que é tocada. Isso varia muito de indivíduo para indivíduo. Mas de qualquer forma, quem visualiza só manifesta alguma reação sexual por cultura, por ter aprendido que, no caso do topless, aquilo é um convite ao sexo, mas naturalmente falando não é. Inclusive muitos homens e mulheres citam a nuca e a orelha como igualmente excitantes, e como sabemos, pessoas não têm seus desejos despertados por ver essas partes, pois aprenderam que não são sexuais.

Percebemos então que a questão trata-se de cultura. Sim, não é instinto masculino olhar, desejar e excitar-se com seios femininos. Prova disso são os diversos estados e praias no mundo em que homens convivem com mulheres que fazem topless sem olhá-las com desejo.  A ideia de que topless feminino é de alguma forma diferente do topless masculino é clara e profundamente enraizada na nossa psique social coletiva. Essa desigualdade pauta-se na ideia de que as roupas que as mulheres usam devem levar em conta potenciais espectadores. O foco é sobre a resposta do sexo masculino para a visualização de mulheres de topless, não há foco no ator fêmea como ela mesma. Não se considera a possibilidade de calor nas mulheres, tampouco nas praias a opção de não querer marcas de bronze. E em muitos países a legislação ou a moralidade contra o topless inclui não poder amamentar em público (pois é, se seu filhx ficar com fome, deixe-x com fome ou interrompa seu passeio).

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Apesar da hostilidade machista, existem alguns movimentos a favor do topless como Go Topless, The Outdoor Co-Ed Topless Appreciation Pulp Fiction Society, Free the nipple, TERA e etc. que têm a intenção de mudar a noção social de que a exposição do seios é algo necessariamente vulgar. Defendem que os seios, bem como todo o corpo feminino, não está em um estado perpétuo de envolvimento sexual; que o corpo feminino pode e deve existir publicamente em toda uma gama de estados e necessidades corporais, assim como os corpos masculinos. O objetivo disso não é provocar ou imitar os homens como muitos dizem. Lembrando de Simone de Beauvoir, a mulher está apenas se comportando como ser humano, com necessidades e direitos.

Precisamos encarar as mulheres e seus corpos como merecedores de direitos iguais aos dos homens. A cultura não pode impedir a percepção correta do corpo feminino. Não podemos tolerar a hipocrisia de uma sociedade em que uma criança nos Estados Unidos assiste a pelo menos 200 mil atos de violência e 16 mil assassinatos na TV até fazer 18 anos e poder ver um mamilo. Que as mulheres não sujeitem seus próprios corpos nem ignorem suas necessidades por causa da sensibilidade dos outros. Que tragam o foco para si e que sejam livres de mais essa imposição sem sentido.

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