11/11/2014 - Por Reflexões

Eu não queria

Eu queria poder não me depilar.

E eu queria poder não me depilar por que pelos não me incomodam. No inverno, quando as calças são companhia diária, eu não me depilo. Quando estou solteira e sozinha – no sentido físico da palavra – eu não sinto a necessidade de depilar a virilha. Sou higiênica e sei que alguns fios não vão me fazer mal, pelo contrário, eles ajudam a manter a flora natural da vagina.

Eu queria poder não usar sutiã.

Meus peitos não são grandes, não preciso de um suporte para que eu não tenha dores de coluna. Quando estou sozinha em casa não uso sutiã. Apenas percebo a real ajuda deles quando realizo atividades físicas.

Mas eu não consigo. Todo verão eu ponho o shorts e quando vou sair de casa, vejo minhas pernas e simplesmente não consigo sair. Meus pelos são finos e claros e minhas amigas dizem que apenas eu consigo vê-los. Só que eu não me sinto confortável.

Quando eu saio com um cara ou mesmo com uma garota e sinto vontade de transar, mas não estou depilada, eu não transo. Eu sei que na hora de tirar a roupa ninguém liga pra isso, eu sei que o máximo de tempo que fiquei sem depilar foram dois meses e que eles não estão compridos a ponto de serem “assustadores” de verdade.

Mas eu não consigo.

E a pior parte é que eu não me depilo ou uso sutiã para os outros. Eu o faço por mim. Para não me sentir desconfortável ou deslocada. Por que não quero ser mais oprimida do que já sou – por que eu uso decotes, por que eu sento de perna aberta, por que eu falo muito de sexo, por que eu fico com muitas pessoas, por que eu bebo como um homem, por que me falta o “respeito”.

Eu o faço e me dói fazer. Mas eu nunca reclamei, até agora.

Agora eu falo. Falo por que alguém pode me ouvir, você pode me ouvir. Você me entende. Você deve passar por isso todo dia.

Mas a gente não deveria.

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