08/06/2014 - Por Reflexões

Gordofobia não veste bem

Quando o assunto é moda, pode apostar que você não vai ver nenhuma mulher acima do peso numa propaganda. A tendência é a mesma já faz alguns anos: manequins cada vez menores para mulheres cada vez mais idealizadas. Enquanto isso, no mundo real, dados do Ministério da Saúde mostram que 48% das mulheres brasileiras estão acima do peso. Nos Estados Unidos, a estatísitica sobe para 60%.

Na premiação do Oscar de 2012, a atriz Melissa McCarthy pediu para 5 ou 6 designers fazerem seu vestido, e todos disseram não. De acordo com a atriz “é como se a partir de um certo tamanho, as pessoas se vestissem pior e tivessem menos dinheiro para gastar”.

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Em outros casos, essas mulheres são ridicularizadas e tornam-se vítimas da gordofobia (quando uma pessoa é discriminada por ser acima do peso). Gabourey Sidibe, ao sofrer ataques quanto à sua aparência no Globo de Ouro desde ano, publicou o seguinte tweet:


(Tradução livrePara as pessoas que estão fazendo comentários maldosos sobre as minhas fotos do Globo de Ouro, eu com certeza chorei sobre isso enquanto ia para o trabalho dos meus sonhos no meu jatinho particular #sóquenão)

Então, tentam justificar o preconceito com falsa preocupação “Não tenho nada contra elx ser gordx, mas a saúde delx está em risco”, enquanto a questão, na verdade, é outra: Nem todas as pessoas gordas não são saudáveis, assim como nem todas as pessoas magras são. E o mais surpreendente ainda: Existem pessoas que estão acima do peso e que não querem emagrecer. E não pelo senso comum, de que são preguiçosas, mas sim porque ~pasmem~ elas se aceitam e se gostam como são.

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Ao dizer para umx gordx que elx é lindx, só precisa emagrecer, reforça-se o estereótipo que essa pessoa não pode ser gorda e bonita, como se essas fossem características conflitantes. E a indústria da moda tem grande influência sobre isso, marginalizando aquelxs que estão acima do peso ao negar-se a fazer roupas para elxs.

Como bem disse Cameron Silver – historiador de moda – “Não é difícil fazer uma mulher que se encaixa nos padrões de beleza ficar bonita, mas fazer uma mulher acima do peso, que nós normalmente percebemos como alguém que passa por mais obstáculos, parecer glamurosa e aumentar sua auto-confiança, isso sim é gratificante”.

Por isso, é preciso reavaliar aquilo que é considerado bonito ou feio, uma vez que todos os corpos são imperfeitos e únicos. Uma pessoa gorda pode ser tão bonita, sexy e elegante quanto uma pessoa magra. O segredo está em aceitar todos os corpos, sejam eles como forem.


 

Texto de referência em inglês: http://thebea.st/1jdCBlC
*Atualizado: Não foi no Oscar de 2014 e sim no de 2012.

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