30/01/2018 - Por Reflexões

Não é fácil ser ‘good vibe’

Eu sei que o ano já começou faz tempo, logo tem carnaval, etc, mas só deu pra escrever esse texto agora. Não existe hora certa para falar sobre o que é importante, né?

Então vamos lá falar sobre como não é fácil ser ‘good vibe’.

Sumi daqui desde o final do ano. Tirei férias, tive a oportunidade de conhecer lugares que nunca imaginei e pude me desligar de tudo, relaxar, aproveitar de verdade (só de lembrar dessa sensação já bate a saudade). A vida voltou ao normal no comecinho do ano e já fui engolida por um milhão de atividades que precisavam ser feitas. Tudo que eu consigo pensar é: “mas Gabriela, você não disse no final do ano que o que você queria em 2018 era ter uma vida mais leve e equilibrada?” Pois é, eu disse.

Por que eu estou dividindo isso com vocês? Bom, vou listar algumas razões:

  1. Tenho certeza que não sou a única mulher que passa pelas crises que eu passei;
  2. Tenho certeza que não sou a única mulher que tenta, tenta, tenta, mas não consegue ser leve, tranquila, equilibrada, ‘good vibe’;
  3. Estou determinada a (pelo menos tentar) viver essa vida leve, tranquila, equilibrada, ‘good vibe’.

No ano passado eu tive alguns problemas de saúde por conta da minha rotina e do estresse que ela me causa. Fiquei internada no começo do ano com problemas no estômago, crise de pedras nos rins, gastrite crônica, tive várias crises de enxaqueca e, para fechar com chave de ouro, tive um surto de ansiedade que me levou para o hospital. Travei fisicamente, não conseguia me mexer ou falar, achei que ia morrer e precisaram me dar um calmante tarja preta na veia. Faço terapia há alguns anos, mas depois disso tudo precisei ir no psiquiatra e comecei a tomar remédio para controlar a ansiedade e a compulsão por comida.

Confesso que eu sempre tive um pouco de pé atrás com psiquiatras. Marquei uma consulta, não gostei. Marquei outra consulta com outro profissional, amei. Sei que tenho uma tendência pra dramatizar algumas coisas, mas aquela consulta mudou tudo. No lugar de me passar milhares de remédios, ele me mostrou os benefícios da meditação, alimentação equilibrada, yoga e uma boa noite de sono. Me explicou como tudo isso influencia positivamente a saúde do meu corpo e da minha cabeça. Parece óbvio? E é mesmo! Mas naquele momento eu estava tão atordoada e mergulhada no mantra da Rihanna, work, work, work, work, work, work, e ESQUECI que se a gente não dormir direito, não comer direito e ficar 18 horas trabalhando todo dia, inevitavelmente alguma merda acontece.

Aí veio o desafio: como eu vou fazer tudo isso se mal consigo dar conta das minhas coisas? Afinal, eu continuo com as mesmas responsabilidades, obrigações, rotina de trabalho. A resposta? Ainda não encontrei. Tudo que posso dizer é que estou tentando e que precisamos parar com a autocobrança. Caramba!Nós mulheres somos cobradas e responsabilizadas o tempo todo, durante toda a nossa vida, por tanta coisa. A gente simplesmente não precisa que essa cobrança também venha de dentro! Óbvio que falar é fácil. É difícil demais desconstruir essa ideia de que temos a obrigação de sermos perfeitas. Dar conta de tudo, trabalhar, ganhar bem, fazer pós, mestrado, doutorado, dominar o mundo e ainda ter tempo pra meditar, fazer yoga, atividade física, se alimentar corretamente, transar. Gente, não dá! E o tanto de mulheres que ficam doentes por conta dessa cobrança pela perfeição é um absurdo!

Sabemos que essa obrigação de dar conta de tudo se intensificou desde que nós, mulheres, entramos no mercado de trabalho. Isso já tem décadas e cá estamos nós, ficando doentes física e mentalmente porque continuamos tentando abraçar o mundo. Então, gente, vamos falar mais sobre isso? Vamos falar mais sobre a saúde da mulher? Sobre cobranças e sobre como elas influenciam nossa vida? Vamos falar também sobre planos e metas que são possíveis, e que mesmo assim, se não conseguirmos cumprir, tudo bem! Ninguém é melhor ou pior por conta disso! Vamos nos ajudar mais! Compartilhar nossas experiências, o que deu certo e errado, para que tornar possível sair dessa lógica bizarra de ‘preciso fazer tudo’.

É isso que eu quero esse ano. Mais honestidade, sinceridade, sororidade, troca, libertação e desconstrução. Perfeição não existe e ficar correndo atrás dela só porque falaram pra gente que isso é certo, não faz sentido. A única coisa que a gente pode fazer é tentar crescer um pouquinho, um dia de cada vez. Descobrir o que ser ‘good vibe’ significa para cada uma de nós e tentar chegar mais perto dessa ‘plenitude’. E se não der pra fazer isso agora ou depois, ok também. Sem cobranças!

Para mim, 2018 vai ser o ano que vou tentar, do meu jeito, me transformar em uma pessoa ‘good vibe’. O que significa que vou tentar me cobrar menos, colocar menos coisas nas minhas listas, tirar alguns planos do papel. Também vou tentar passar mais tempo fazendo coisas que me fazem bem.

Se eu vou conseguir ou não já é outra história. Prefiro tentar viver uma vida que é melhor para mim, do que seguir tentando viver uma que julgam ser ideal.

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