19/09/2014 - Por Reflexões

Não é homenagem, Falabella

Devemos em primeiro lugar sinalizar que a mídia não contempla xs negrxs, não xs vende ou se xs apresenta é para reforçar estereótipos, e principalmente os que são dados a mulher negra.

Esta nova série “Sexo e As Negras”, que a rede globo irá apresentar é uma versão modificada da série americana “Sex And The City”. Na original as principais personagens são bem sucedidas profissionalmente, já na versão brasileira teremos a cozinheira, operária, camareira e costureira. E o roteiro se passa no subúrbio.

Problemas com o subúrbio? Problemas com mulheres negras que trabalham? NÃO! O nosso repúdio é por  sempre olhar novelas/comerciais/seriados e seja lá qual seja o programa e ver x negrx sempre sendo marginalizadx .

Na série há a hipersexualização das negras, o tratamento para elas como seres exóticos, a objetificação dos seus corpos, colocam elas na situação de sem educação, pobres e “fogosas”, sempre a procura de homens para satisfazerem seu apetite sexual, mas com a imagem de que elas são verdadeiras máquinas de fazerem sexo, o que extremamente misógino, a mulher só é completa com um homem ao seu lado, dessa forma será considerada um ser humano de verdade. Dentro dessa misoginia, ainda vem à misoginia racista, que não da à mulher negra o direito de ter um amor romântico (este que já é cruel por si só, mas ainda é tratado como algo romântico), mas apenas ter relacionamentos fluídos e passageiros, que acontecem apenas por conta das relações sexuais e mais nada, ou seja, teremos a exibição em rede nacional de um programa que além de ser racista é machista. Então, fica evidente que em todos os seus capítulos será mostrado o reforço de rótulos que a sociedade e o processo histórico dão as mulheres negras.

A Rede Globo parece fazer questão de perpetuar esses pensamentos e agora Miguel Falabella (Escritor da série) compactua com isso, ambos não sabem nada da vivência das negras. A série poderia, sim, se passar no mesmo cenário, com os mesmos papéis, se questionasse esses estereótipos, se fizessem uma critica a todas as desigualdades e opressões que essas mulheres têm que passar nesse país apenas por serem mulheres, e por serem mulheres negras, mas não, apenas decidiram perpetuar, senso assim, essa série não representa as negras em absolutamente nada. Além do mais, existem as bem sucedidas, com bons cargos no mercado de trabalho, condições financeiras favoráveis. Pode ser um número pequeno perto do que queremos, mas não é insignificante ao ponto de não ser afirmado e exibido.

Portanto, repudiamos a exibição dessa série racista e machista, e de qualquer outro veículo que seja usado para reafirmar estereótipos.

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