09/06/2014 - Por Reflexões

Os opostos se atraem?

Para comemorar o dia dos namorados, a equipe NAQ queria explorar os relacionamentos dentro de uma perspectiva feminista! Para isso, convidamos as pessoas mais próximas que tínhamos – nossxs proprixs namoradxs! Assim, hoje, amanhã e quarta teremos alguns relatos de como, afinal, é namorar uma feminista!


 

Gabs e Fabius

Muitos dizem que os opostos se atraem.

Prefiro trocar a última palavra por completam. E é assim que vejo meu relacionamento com a Gabriela – ela não gosta que me refira a ela assim, mas esse é o nome mais lindo que eu conheço – apesar de muitos acharem que somos muito parecidos.

É claro que para um relacionamento seguir em frente, faz-se necessária uma combinação de ideias e ideais. E assim somos. Mas o que eu mais gosto, são as nossas diferenças e o respeito mútuo (ás vezes mais incisivos e nervosos) que temos um pelo outro.

Isso acontece, acredito, muito por causa do que pensa a Gabriela e do que ela enxerga de sociedade. E o projeto NAQ reflete exatamente isso. Posso não concordar com ela em alguns pontos cruciais, mas sabemos respeitar o outro no que ele pensa e no que ele age. E o NAQ tem, para mim, um ideal semelhante, ou seja, o respeito ao próximo como base de uma liberdade.

Sem falsa modéstia, mas acredito ter grande parte nesse crescimento intelectual dela, afinal, foi difícil convencê-la que discutir está muito longe de brigar. Acho que o gosto futebolístico e as diversas discussões amigáveis sobre o tema fincaram essa ideia.

E ela também me fez crescer muito, claro. Tenho aprendido muito sobre as discussões de gênero e isso acaba gerando as concordâncias e as discordâncias. Confesso que ainda divergimos muito em questões, por exemplo, que ela trata aqui no site, na página e nas discussões dela nos bares e coletivos.

Um dos vários exemplos dessas discussões aconteceram com amigos mais próximos. Alguns, por ignorância ou pouca vivência em um local que possui mais diversidade, agem de uma forma a ignorar os diversos problemas sociais causados pelo preconceito em relação às questões de gênero.

Alguns que presenciaram essas discussões podem imaginar que quando falamos de assuntos como o humor e o seu limite ou da necessidade da intenção de ofender que o emissor precisa demonstrar no diálogo para caracterizar, por exemplo, um preconceito sujo e barato podemos estar brigando e nos digladiando. Mas, certamente, não!

E essa liberdade que nos damos, inclusive em questões menos casuais, causam espanto em alguns e rechaça de outros.

E aí está o ideal feminista dela. Viemos do interior para uma grande capital com a mesma idade, ambos com 17 anos. Eu em 2008, ela em 2011. Aqui colocamos em prática o que recebemos no berço, ou seja, o verdadeiro respeito ao próximo e as diferenças entre todos.

E isso acaba sendo perceptível quando conversamos com amigos que, por ocasião de escolhas e de seus destinos, ainda residem em cidades menores do interior, onde figuram preconceitos velados e as “certezas culturais” não são discutidas e nem sequer questionadas.

E por tudo isso que coloco é que o sentimento de orgulho é contínuo. O prazer que a Gabriela deixa transparecer quando ela comenta sobre alguns casos do NAQ, praticamente, como uma psicóloga é animador.

Claro, existem histórias que ela nem chega a comentar, até para preservar o verdadeiro personagem, mas todas elas só confirmam a necessidade da existência de mais pessoas como a Gabriela e como todas que fazem dessa ideologia um combustível de vida.

Eu te amo, Gabriela.

Fábio Antunes

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