24/02/2014 - Por Reflexões

Pelo direito de sermos além de princesas

“Querida Lego company, Meu nome é Charlotte. Eu tenho 7 anos de idade e eu amo legos mas eu não gosto que existam mais pessoas de lego meninos e quase nenhuma pessoa de lego menina. Hoje eu fui a uma loja e vi legos em duas seções: as meninas rosa e os meninos azul. Tudo o que as meninas faziam era sentar em casa, ir à praia, e comprar, e elas não tinham empregos mas os meninos iam em aventuras, trabalhavam, salvavam pessoas e tinham empregos, até nadavam com tubarões. Eu quero que vocês façam mais pessoas de lego meninas e deixem elas irem a aventuras e se divertirem, ok!?! Obrigada, de Charlotte” – carta da garotinha à empresa de brinquedos Lego.

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A indústria de brinquedos hoje em dia pode ser vista como um importante fator que reafirma regras de gênero, estimulando a criação de estereótipos desde nossa primeira infância. No entanto, devemos considerar a preocupação das empresas em mudarem seu posicionamento frente ao assunto como uma questão mercadológica para seu negócio. A oferta desse tipo de brinquedo estereotipado no mercado acontece por conta de uma demanda já existente. O modelo arcaico de garotas destinadas a cuidarem dos serviços de casa extrapola uma decisão de marketing de uma empresa, indicando que o “buraco é bem mais embaixo”.

Esse modelo é o reflexo de uma sociedade patriarcalista, ainda presente nos dias atuais por uma questão sociocultural. Como as empresas podem mudar tal realidade, considerando o atual contexto no qual o Brasil está inserido? A população, conservadora em sua maioria, receberia as mudanças desses padrões? Afinal, os padrões são fortalecidos e mantidos pela indústria de brinquedos ou essa indústria só existe pela força e resistência dos padrões na população?

A pequena Riley, na época com apenas 4 anos, questionou a ideia de que meninas só gostam de rosa e princesas: http://bit.ly/1jomaYj

Algumas empresas já estão explorando novas formas de posicionamento no mercado. Uma delas é a americana Goldie Blox, que vende brinquedos para futur@s inventor@s. A marca têm tomado espaço na mídia, ao sugerir tal modelo alternativo de “brinquedos para meninas”, acreditando que elas podem ser mais do que princesas. http://bit.ly/1gcwPBy. A Top Toy também decidiu mudar a maneira de vender seus brinquedos de “casinha” para o público. Adotando o posicionamento de que crianças (sim, crianças e não só meninas) amam se divertir a partir de “role playing”, a empresa tirou a exclusividade rosa de seus brinquedos e acrescentou meninos brincando com as peças de cozinhas. “Queremos que nossos catálogos reflitam a verdadeira forma de brincar de meninos e meninas, e não que apresentem uma visão estereotipada deles. Se tanto as meninas como os meninos na Suécia gostam de se divertir com uma cozinha de brinquedo, então queremos refletir esse padrão”, afirma o diretor de Marketing da TOP-TOY, Thomas Meng http://bit.ly/1edhqNk

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