10/08/2014 - Por Reflexões

Pelo pai que tenta

Nesse dia dos pais, três pais em especial me vieram a mente:

1. Marido de um amigo da minha mãe – o bebê nasceu semana passada e, como presente, compramos um livro para a nova mamãe. Sequer nos ocorreu dar algo para o pai.

2. Esse pai, que deu a volta por cima depois que a mãe abandou a família (http://entretenimento.r7.com/casa-e-familia/fotos/apos-mae-abandonar-familia-pai-solteiro-da-a-volta-por-cima-para-criar-filho-10082014#!/foto/15).

3. O meu próprio pai, claro, que é clássico – é o pai que tenta.

 

No dia dos pais, geralmente passo o domingo com meu pai, na casa dos pais dele, onde almoçamos comida deliciosa e nos estufamos de sobremesa. Um domingo absolutamente comum, na realidade. Embora geralmente role uma menção pré-almoço sobre a data, e, às vezes, até compre um presente, o dia dos pais nunca foi uma grande data para mim.

Não que meu pai seja um pai ruim, entenda. Como disse, ele é clássico – é o pai que tenta. Tenta fazer tempo pra gente, tenta pagar pensão todo mês, tenta ser pai. Se consegue ou não, varia, mas não o culpo – não somos próximos, não faço questão de ser, e estamos bem – temos o suficiente em comum para nos divertir minimamente no tempo que passamos junto.

Mas meu pai, apesar de ser pacatamente normal, recebe todas as desculpas e elogios, de várias pessoas a minha volta. Minha vó, que diz que tenho que entender, que ter paciência; os amigos, que falam que é complicado ter filhos; os estranhos, que garantem que ele é um bom pai, sim, que ele tenta. Como o pai número 2, ele ganha um patamar próprio e recebe pontos por fazer o que se considera o mínimo para qualquer mãe desse mundo.

No final, sinto que, na minha vida e das pessoas ao meu redor, os pais estão se perdendo na própria armadilha. Os pais que tentam, os pais que ajudam, os pais duros, os pais ‘provedores’ estão sendo esquecidos e deixados de lado. Deixe a sociedade amar e desculpar os pais solteiros, os pais que fazem o mínimo – na vida real, no dia-a-dia, os melhores pais acabam sendo as mães – e crianças não são ignorantes, sabem a diferença entre quem tenta e quem faz. Claro que há pais que fazem, pais de verdade – mas a fama da paternidade não vai bem, e pelo menos na minha realidade, mais e mais pais estão sendo como o pai número 1, marido da amiga da minha mãe, ficam em segundo pensamento – uma nova criança veio ao mundo e só me ocorreu muito depois que talvez seu pai realmente fosse participar ativamente da vida da criança.

Então, nesse dia dos pais, diante da minha pequena experiência e perspectiva, deixo meu conselho aos pais que tentam: tentem mais e realmente façam – ou tenham noção que cada vez mais a paternidade está sendo deixada como função das mães.

Tags:, ,

Comentários