25/05/2014 - Por Reflexões

Praia do futuro, problema do passado

O longa “Praia do futuro”, de Karim Aïnouz, narra a história de um salva-vidas, vivido por Wagner Moura, que se apaixona pelo alemão Konrad e, movido por essa paixão, muda-se para Berlin, deixando seu irmão mais novo sem explicações. O filme foi aclamado pela crítica, elogiado por sua abordagem sensível e surpreendente sobre a relação entre os protagonistas. Sua estreia nacional aconteceu no dia 15 de maio e já teve grande repercussão na mídia. Infelizmente, as manchetes não traziam como tema central o enredo e a produção do filme, mas a recepção do público às cenas de sexo vividas entre Moura e Clemens Schick.

As cenas presentes no filme causaram reações de repulsa em algumas salas de cinema, fazendo com que mais de 30 pessoas deixassem a sessão ainda no decorrer da história. Frente a esse tipo de atitude, uma rede de cinemas passou a carimbar ‘AVISADO’ nos ingressos para as sessões do filme, indicando que o espectador estaria ciente das cenas de sexo homossexual.

O espectador Iarlley Araujo publicou em seu perfil no Facebook e no Twitter uma imagem do ingresso para a sessão do filme em João Pessoa, na Paraíba. Segundo o post, o funcionário da bilheteria questionou antes de entregar o ingresso “Senhor, tem certeza de que deseja ver esse filme?” E logo em seguida, lhe deu o bilhete com o carimbo de aviso.

É irônico esse episódio, porque me lembro muito bem de quando fui ao cinema assistir ao filme “Tropa de Elite”, protagonizado pelo mesmo Wagner Moura. Eu devia ter algo em torno de 14, 15 anos quando o filme foi lançado e eu mesma fui comprar o ingresso, sem estar acompanhada de um adulto.

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Nenhum funcionário me questionou se eu tinha certeza de que gostaria de ver aquele filme, cuja cena inicial contém um traficante sendo torturado com um saco plástico. Ou que em cenas durante o filme eu veria um jovem ser queimado vivo, ou incontáveis pessoas sofrendo algum tipo de violência brutal. E eu tinha uns 14 anos. Aquele cinema não se preocupou em me “poupar” daquela realidade. O que é bem chocante, uma vez que o conteúdo do filme todo traz violência explícita para as telas. O filme foi ovacionado, o Capitão Nascimento, eleito herói nacional. Pessoas aplaudiam quando o bandido levava um tiro no rosto. Não desmereço o filme ou sua proposta, mas me questiono o que faz o brasileiro ridicularizar, se enojar, repudiar uma demonstração de amor e aplaudir um momento de ódio e terror.

Será que isso os faz mais fortes? Mais viris? O que faz com que o Wagner Moura de “Tropa de Elite” seja amado e respeitado nacionalmente e que o Wagner Moura de “Praia do Futuro” seja ignorado e silenciado? Ao dar as costas para aquela cena, é perpetuada a homofobia que silencia e limita a liberdade. Liberdade de amarmos quem quisermos amar. Com essa reflexão, só gostaria de deixar avisado que estou muito ansiosa para assistir a esse filme sensível, romântico e maravilhoso sobre uma linda história de amor!

Convidamos todos a mostrar que a homofobia deve ficar no passado desse país, postando uma foto de apoio a essa causa com a hashtag #HomofobiaNãoÉaNossaPraia!

Fontes: http://bit.ly/1tqxnd7
http://glo.bo/1qZ2638

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