29/07/2014 - Por Reflexões

Precisamos falar sobre sexo

 

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Nós poderíamos conversar sobre milhares de outras coisas, mas conversar sobre o que conversaremos agora se faz muito necessário, pois, por mais estranho que pareça, muitas de nós – garotas como eu e você – não conversamos sobre isso e se conversamos é sempre entre risinhos nervosos, dificilmente entre gargalhadas gostosas.

 

Antes tenho algumas perguntas a fazer:

Você fala sobre sexo?

Você gosta de sexo?

Você se toca?

Você faz sexo toda vez que possui vontade e oportunidade?

Você tem uma vida sexual satisfatória?

 

Espero que você tenha respondido “sim” para pelo menos metade dessas perguntas. Pode parecer exagero e até meio bobo insistir no assunto, mas debater a sexualidade feminina abertamente é coisa rara mesmo em tempos de “ tudo pode” & “ nada me detém”. Já vi garotas super descontraídas se contraírem totalmente diante dessas questões. Podemos ter conquistado muito – estamos bem longe do tudo – mas liberdade para encontrarmos prazer usando nosso corpo como ferramenta ainda é algo que vive nos limites do proibido!

Sim, você pode até fazer parte da turma “moderninha” (ou das “pra frente” como diria minha tia avó), se você é sexualmente livre e tá achando esse papo muito estranho, tenho algumas coisas para te contar:

 

Muitas de nós mulheres não falamos sobre sexo!

Temos vergonha de assumir que gostamos de sexo!

A maioria das mulheres ignora totalmente a própria vagina!

Nos privamos de irmos para cama com alguém até mesmo quando temos vontade por medo se sermos julgadas.

Um terço das mulheres brasileiras nunca tiveram um orgasmo.

 

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Pasmem! (Ou não) o sexo assunto ainda não foi democratizado!

 

Jogando o papo na roda:

Tenho uma confissão a fazer, já falei mais abertamente sobre sexo com a minha mãe do que com a maior parte das minhas amigas. Simplesmente o assunto não surge e se surge não desenvolve e se desenvolve nunca parece se tratar de um tema leve e natural. Fico imaginando quantas informações valiosíssimas perdemos nessa laguna inexplicável.

Logicamente não estou lhe dizendo ser necessário contar detalhes íntimos da sua vida sexual para suas amigas, afinal a intimidade entre duas pessoas deve ser preservada, mas vamos pensar mais profundamente no assunto: Nossas amigas são as pessoas para qual contamos nossos segredos mais profundos, certo? Se não falamos sobre sexo com elas, com quem conversamos?
Espero que algumas dúzias de vocês que estão me lendo respondam mentalmente “Com noss@s parceir@s oras bolas! ”, porém a triste verdade é a seguinte: muitas, muitas mulheres não conversam sobre sexo com ninguém e o motivo para tal silêncio é o mais simples (e triste), um misto de vergonha e medo.

Gostar de sexo e entender de sexo nunca foi prioridade na educação feminina, muito pelo contrário, desde muito novas somos ensinadas a esconder qualquer traço da nossa sexualidade, muito diferente dos meninos, incentivados desde de pequenos a serem donos do próprio prazer. Por que homens possuem menos problemas sexuais do que mulheres? A resposta é óbvia: pensar, falar, discutir e praticar sexo não é proibido para eles, enquanto para nós é totalmente negada a chance de descobrir a própria sexualidade.

 

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Óbvio que isso interfere na nossa performance. “ Será que se eu fizer isso el@ vai assustar? ”; “ Será que se eu pedir aquilo el@ vai estranhar”; “ Se eu gemer assim o que el@ vai pensar? ”. Incrivelmente até mesmo durante a prática, muitas de nós nos sentimos reprimidas e desconfortáveis, como se demostrar que gostamos de sexo nos colocasse numa categoria inferior de decência e caráter. “Mulher que gosta de sexo não é mulher para ser levada a sério”, essa afirmação é tão absurda quanto o fato de acreditarmos nela, mesmo quando já estamos ali nos propondo a dar prazer sem pensar de forma respeitosa no nosso próprio prazer.

 

Outra verdade é o fato de um bom número de garotas nem saberem  quais são suas preferências na cama. Você se masturba? Por favor não fique chocada, se eu perguntasse isso para qualquer um dos meus amigos homens eles me responderiam cheios de sorrisos “Claro que sim! ”. Porém nunca tive coragem de perguntar isso para nenhuma das minhas grandes amigas.

Como possuir liberdade sexual, se nos parece errado tocar o nosso próprio corpo? Tão errado que podemos passar a vida inteira negando dizer que fazemos essa prática ou, mais grave ainda, nos negando de fazer essa prática.

Conhecer o próprio corpo é o primeiro passo para entender a nossa atitude diante da vida íntima, para encontrarmos com os nossos desejos e preferencias e não existe nada mais permissivo e justo, na minha opinião, do que se dar o direito de sentir prazer. Mulheres precisam se permitir mais, sem culpas e sem receios.

 

Com tantas culpas e vergonhas, não é de se estranhar o resultado da pesquisa realizada pelo Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas da USP, constando que um terço das mulheres brasileiras nunca chegaram “lá” (nem durante a masturbação!). A pesquisa ainda aponta números ainda mais chocantes em outros países. Um estudo encomendado por sex shops na Inglaterra detectou que 80% das mulheres não atingem o orgasmo durante as relações. Isso é no mínimo uma injustiça das mais descabidas. Nós temos direito de sentir prazer tanto quanto qualquer homem. E não há jeito de conquistar isso sem prática e prática livre, sem levar nenhuma das frases prontas das nossas avós pro motel (ou qualquer outro lugar).

 

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Eu também sinto tesão!

Nós também sentimos tesão e temos sensibilidade o suficiente para usarmos e abusarmos das sensações que nosso corpo pode fornecer, é um absurdo o julgamento moral nos privar dessa atitude. Não podemos mais deixar que o discurso social interfira de maneira tão invasiva nas nossas atitudes na cama. Sexo é um ato privado, não de opinião pública.

Você não pode se sentir mais ou menos respeitável por querer sexo, por faze-lo fora de um relacionamento sério, por ceder ao desejo e não usá-lo apenas como forma de manutenção/arma do amor. Que pecado há em seguir suas vontades, seus instintos? Você mulher que me lê, responsável diariamente por suas ações, você que é cobrada pelo mundo a ser “máster”, “blaster” sensacional, não deixem dizerem “não! ” para a relação mais permissiva que você pode ter na vida: a com seu próprio corpo.

Não deixe a sociedade gritar quando você pode transar ou com quem você pode transar. Vejo garotas ótimas se sentido péssimas e menos merecedoras de amor pelo simples fato de terem seguido suas próprias vontades. Há tanta hipocrisia nesses julgamentos e as marcas podem ser profundas e eternas (como uma vida sem orgasmos por exemplo)

Conversem mais sobre sexo, tire dúvidas, leiam, assistam filmes pornôs (sim nós podemos também), crie opiniões, diga mais sim, mais nãos, falem “sacanagem”. Isso não é promiscuidade (na verdade o que é promiscuidade a não ser uma palavra criada para deixarem mulheres (e gays é claro) se sentindo culpad@s por suas atitudes? Quase não vejo essa palavra sendo usada para descrever homens heteros).

Leve esse assunto para cama, converse com el@, troque experiências. E Pratique! Com amor, com tesão, com vontade!

Sexo é tão bom e merece ser democratizado!

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