Resoluções feministas para 2015

É, amigues, se tem uma coisa que 2014 definitivamente não foi é fácil. Teve mascu querendo opinar sobre o que é certo e errado no feminismo. Teve gente chorando pelo sofrimento dxs brancxs quando descobriram que usar dread é apropriação cultural, se você não é negrx. Teve silenciamento. Teve Fidélix sem vergonha de destilar preconceito e ignorância para o país todo. Teve Aécio e Dilma no segundo turno. Teve Feliciano e Bolsonaro reeleitos. Teve Bolsonaro cagando pela boca. Teve Julien Blanc quase entrando no país para ensinar ozomi a “”pegar mulheres””. Teve gente perdendo tempo para discutir as malefícios da misandria (?). Realmente, não foi fácil. O cenário ainda piora quando dentro do movimento falta empatia, noção e respeito. Por isso, fizemos uma lista de metas para seguirmos em 2015 para fazer do feminismo um espaço mais seguro e empático, para que possamos, juntas, vencer toda a opressão a que somos sujeitas.

 

Respeito aos lugares de fala de cada pessoa no movimento

É necessário, mais do que nunca, compreender que existem interseccionalidades dentro do movimento feminista e que é preciso respeitar os protagonismos de tais interseccionalidades. Uma mulher que é branca, rica, cis e heterossexual, deve entender que sofre sim com o machismo. Mas que ele afeta mulheres negras, pobres, trans e não-ht de forma ainda mais cruel. Então você, como mulher branca deve respeitar o protagonismo dessas mulheres em questões que as afetam de forma particular.

 

Mais projetos de mulheres e para mulheres surgindo por ai

É lindo de se ver quando mulheres se juntam para falar com outras mulheres, quando entendemos que podemos mudar o mundo juntas e que é preciso trabalharmos unidas para conquistar isso. 2014 foi um ano incrível para o surgimento de muitos projetos lindos que celebram e empoderam mulheres. Vamos manter o ritmo e apoiar umas as outras, incentivar ideias e projetos incríveis.

 

Empatia com a opressão e sofrimento que não experimentamos

Sororidade seletiva é um problema real no feminismo. Vemos constantemente pessoas pedindo para a mulher negra ter sororidade para explicar pela milionésima vez para a mulher branca (e racista) porque o que ela diz é racista. Mas niguém pensa em pedir o mínimo de sororidade para que a mulher branca compreenda a vivência da irmã negra que faz com que ela reaja de determinada maneira. Empatia é um conceito bem simples de aplicar: se você não vive essa opressão, OUÇA quem vive. Tenha humildade para aprender, pois você não tem como saber sobre uma opressão que nunca vai experimentar. Por mais que você leia, por mais que você conheça, é sempre fundamental entender que você não passa por isso e sempre vai saber menos de quem sabe.

 

Valorização da vivência de nossas irmãs

Sim, nossas leituras são importantes para enriquecermos as discussões e ampliarmos nosso conhecimento. No entanto, não podemos deixar que isso se sobressaia à vivência de cada uma. Não é porque você leu sobre um assunto que você necessariamente sabe sobre ele. Vamos entender que é importante OUVIR quem de fato vive está inserida num contexto que talvez nós não conheçamos na prática. Vamos RESPEITAR essas vivências e dar espaço no movimento para que elas sejam compartilhadas.

 

Compreensão de que misoginia mata mulheres e misandria ofende homens na internet

Gente, por favor. Não vamos mais perder nosso precioso tempo para discutir o problemático tema da misandria. Vamos compreender de uma vez por todas que misandria é um mito. Ela não se caracteriza como opressão, pois nenhum homem é morto por conta disso. E as mulheres que os repelem estão dentro de seu direito de reagir a uma opressão que experimentaram sua vida toda. Falar que algumas feministas são muito “radicais”, que “não adianta combater opressão com opressão” é andar para trás. Vamos respeitar a forma de cada uma militar e não vamos chorar pelos homens. Já existe uma sociedade toda fazendo isso por eles.

 

Um feminismo mais acessível, sem elitismo e academicismo

É triste quando percebemos que existe ainda muito elitismo dentro do feminismo. Vamos lembrar: pra quem é esse movimento? Precisamos mesmo nos apoiar somente em recursos intelectuais (como artigos e teorias) que se distanciam da realidade de muitas mulheres que pouco têm acesso a eles? Precisamos mesmo incentivar um comportamento colonialista ao escolhermos termos e textos gringos para discutirmos feminismo? Vamos produzir mais materiais próximos da vida das mulheres, próximo de nossa cultura, com nossos próprios termos e experiências. Vamos tornar o feminismo um movimento mais acessível para todas!

 

Coragem e força para gritarmos mais alto quando tentam calar nossa voz!

É isso, irmãs! Que 2015 seja um ano repleto de barulho causado por nós <3

 

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