27/07/2014 - Por Reflexões

Sexo: Prazer ou Dever?

No início dessa semana, uma nova tendência desabrochou na internet: sex spreadsheets. Um marido frustrado criou no excel uma lista enumerando suas 27 tentativas de transar com a sua mulher durante o período de um mês contrastadas com as “desculpas” dadas pela sua esposa para não transar com ele.

O autor parece querer culpar sua mulher pela discrepância de libido no seu casamento. Como se o matrimônio garantisse a ele um direito inalienável de sexo ilimitado. Apesar de parecer inofensiva, essa lista explicita um problema latente na sociedade moderna: homens ainda acreditam que mulheres lhe devem sexo e toda recusa deve ser acompanhada de uma justificativa plausível. É o mesmo pensamento de quem acredita em friendzone e acha que por ser um cara supostamente bacana sua amiga lhe deve sexo e amor. Esse conceito, se extrapolado à máxima potência, é o que leva pessoas como o Atirador de Santa Barbara sair atirando às cegas nas ruas com o intuito de “punir todas as garotas que não se sentiam atraídas por ele”.

É como se, por ser homem, o indivíduo tenha o direito inerente de receber sexo e atenção quando desejar e a mulher que se recusar a “cumprir seu papel” deve, ao menos, comprovar o porquê da sua recusa.

É claro que sexo é uma parte significativa de muitas relações amorosas (e talvez a ausência de libido seja o sintoma de um problema mais holístico em vários relacionamentos), mas sexo não é obrigação para ninguém. Homem não é menos homem por não querer transar e mulher não deve ser coagida a ter uma relação sexual só por estar em um relacionamento estável. Sexo é consenso, não dever.

Mais amor e menos sex spreadsheets, gente. <3

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