20/05/2014 - Por Reflexões

Somos irmãs!

Sábado, 10 horas da manhã, no cabelereiro.

Minhas unhas estavam roídas, quebradas e com a crise nervosa da semana anterior, fez com que as cutículas ficarem secas. Elas me doíam. Resolvi que era hora de me cuidar, porque dor, quem curte? Fora a falta de coordenação para pintar as unhas sem parecer que eu pedi para uma criança fazer o trabalho.

Bom, lá estava eu no cabeleireiro, pensando com a minha vaidade se eu gostava mais do vermelho-passarinho ou do vermelho-chaminé, quando uma menina terminava de fazer alguma coisa no cabelo. E ela estava incrível. Eu a admirei por longos momentos. Até que:

– Menina, você vai arrasar hoje, disse a dona do salão

– Vai mesmo. Vish, quero nem ver, disse a assistente

– Nossa, gente, super obrigada, ficou ótimo, disse a menina do cabelo incrível

Até aí, tudo certo, porque eu estava só esperando a oportunidade de dizer “como você é bela”. Eis que o diálogo continua e a dono do salão diz:

– Nossa você está tão poderosa, que as suas amigas nem vão querer sair com você.

Neste momento, eu senti um choque. Eu vi a ferramenta clássica ser usada para fazer garotas se sentirem inimigas e oponentes. A menina sem graça retruca:

– Ah, não, mas eu estou me arrumando toda, porque vou sair com meu namorado.

E a dona do salão insiste:

– Faz assim ó. Manda foto de como você está pra elas, pra elas nem se atreverem a aparecer. Vocês vão em alguma festa? As meninas vão correr de inveja de lá.

A menina meio desorientada com tantos “elogios” eufóricos disse apenas que iria jantar com o namorado e que queria ficar bonita pra ele. Ela sabia que tinha que aceitar os confetes, que eram verdadeiros, mas ela estava confusa. De alguma maneira, ela se preocupou em invejar as amigas, porque não, não era este o objetivo dela. Aliás, de forma alguma.

Uma das maneiras dessa sociedade de manter as mulheres sobre controle, é alimentar o ódio de meninas contra outras meninas. Ou seja, fazer do inimigo número 1 de uma mulher, outra mulher, que também sofre das mesmas opressões de gênero que sua companheira “odiada”. Desse jeito, nos ocupamos em manter essa competição contraditória, enquanto os homens ficam tranquilos, sem se preocupar que um dia esse ódio vai se reverter contra eles. Porque basta que a gente se una, para fazer a diferença nesse cenário todo. Basta que a gente olhe para os lados e reconheça naquelas mulheres companheiras de luta, irmãs.

Enquanto eu repousava minha mão direita no pote com água quente, não contive o impulso de dizer “você está linda e eu não estou com inveja. Apenas tomada por admiração pura.”

Glaucia Oliveira | glaupp.wordpress.com

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