01/12/2014 - Por Reflexões

Você não é uma pessoa ruim

Essa semana eu estava com um amigo lembrando os tempos de libertinagem adolescente. A conversa seguia um rumo divertido até que ele citou como algumas mulheres não tinham noção das coisas que faziam, por vezes destruindo a própria reputação uma vez que davam pt em metade das festas, e em outra metade saiam acompanhadas por um ou mais homens.

Entre as coisas que ele falou estava o fato de que tais mulheres não seriam boas mães, por que as pessoas falam, e a criança seria conhecida como a filha da vagabunda da faculdade. Fiquei chocada que alguém que considero pense que caráter é medido pela quantidade de parceiros que uma mulher tem.

Imediatamente pensei na minha colega de faculdade, grávida, antes conhecida por estar em todas as festas. “É claro que ela ia ficar prenha, dando do jeito que dá”, “tenho pena dessa criança, sendo criada por uma drogada”. “Ela mereceu”, como se ter um filho fosse uma maldição que jogaram sobre a herege.

Todos sabemos que a culpa sempre cai na mulher, mas é absolutamente incrível a indiferença dispensada ao mesmo comportamento quando praticado por homens. Eu poderia também entrar numa discussão sobre como o “aborto” é fácil para o homem, como é simples apenas dizer que não é problema seu quando a criança não está crescendo dentro de você.

Eu sinto muito pelas mulheres que tem que encarar isso e não são fortes o suficiente para aguentar os comentários. Eu sinto muito por cada mulher que morreu em clinicas clandestinas. Eu sinto muito se você é chamada de puta, onde quer que você more, o que quer que você faça para ser chamada assim.

Mas não é verdade o que meu amigo falou. Você não é uma mãe ruim, você não tem um caráter ruim. Você só é livre, e diferente de muitos homens, você assume a consequência de seus atos.

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